Comunicação popular: entre a resistência e a indigência

A comunicação popular vive em permanente estado de indigência, definhando em meio às centenas de milhões de gastos governamentais com campanhas na mídia – incluindo as Big Techs. Assim caminha a imprensa livre, que não leva desaforo pra casa e sobrevive entre a resistência e a negligência de políticas voltadas para a democratização da comunicação.

Diante da histórica guerra da desinformação, vale a pena repetir – de novo – novamente – que a imprensa livre não é apenas uma ferramenta de comunicação popular, mas uma causa política fundamental para potencializar todos os lugares de fala. Que vai muito além do acesso à informação.

É preciso destacar que apenas o acesso às redes sociais, jornais e sites não garante a chamada democratização, na medida em que há um monopólio que domina as plataformas e os recursos de comunicação. Ainda mais sob o totalitarismo das Big Techs – empresas como Google, Instagram, Meta/Facebook, Amazon, Apple e Microsoft – que controlam toda informação que consumimos e produzimos na internet.

Por essas e outras, a ideia de democratização por meio do acesso livre à internet é pura ilusão. Os dados mais recentes sobre tecnologia da informação e comunicação, divulgados em julho de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram a exclusão digital de cerca de 20,5 milhões de pessoas. Não à toa, em áreas de baixa renda e com destaque para regiões Norte e Nordeste.

Portanto, com a democratização da mídia engavetada em gabinetes palacianos, a comunicação vai continuar excluindo milhões de vozes e falando a língua da elite e de grupos favorecidos por políticas que privilegiam bolhas hermeticamente fechadas. Interessa a esses seletos grupos que a comunicação popular permaneça em estado de coma, sem nenhum tipo de recurso para a sua sobrevivência junto à periferia do país chamado Brasil.

Uma cena dominada pela Casa Grande que faz da linguagem atos de alienação e desinformação em massa. Enquanto isso, a linguagem apropriada pela comunicação popular é a fala dos territórios, das favelas, das comunidades. É exatamente essa perspectiva marginalizada da periferia que vai confrontar a ideologia dominante recheada de patriarcado, racismo, homofobia.

Entendemos a comunicação como escuta, diálogo, uma ferramenta de conscientização, mobilização e organização popular em contraponto à manipulação, à mentira, à ignorância, à alienação. Mas esse é um trabalho que precisa ser valorizado e reconhecido. Afinal, é uma tarefa realizada por uma galera que tem muitas contas a pagar.

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