
O título dessa matéria expressa a sabedoria de Célio Turino, idealizador dos Pontos de Cultura e do programa Cultura Viva, ao falar da “capacidade de agir e de transformar que vem da nossa gente”.
Uma boniteza que arrodeia a Teia que junta Pontos e ideias para nos fortalecer e acolher projetos coletivos. Um esforço indiscutivelmente político e cultural que necessita ser comtemplado com decência. A decência que necessariamente precisa-se dar ao ofício de artistas e agentes culturais que fazem a existência dos Pontos de Cultura. Levando em consideração que a palavra cultura vem do verbo latino cólere, que significa cuidar, como explica lindamente Marilena Chauí.

Entre os primeiros elementos que formam a cultura a filósofa aponta a linguagem, “por meio da qual eu torno presente o que está ausente”, e o trabalho, “por meio do qual eu faço surgir no mundo o que não existia”. Essa é a cultura viva apropriada pelo Coletivo Foque, que há 22 anos faz da comunicação popular um instrumento de conscientização e mobilização que não descola da identidade do nosso povo. Assim como o tocador de flauta que celebra uma festa popular e o fuxico de feira do povo brasileiro.
A Teia é o grito forte dessa cultura viva que se manifesta em cada ponto de potência que se junta com outro, com outro, com outro… por mais diferente que seja. Uma articulação em rede que se faz com muita zoada para fazer ouvir a diversidade de vozes. Do contrário, a pulsação dos Pontos de Cultura se burocratiza e vira totalitarismo. Uma das armas essenciais para manter o tom da manifestação é apostar na comunicação popular que soletra ao pé da letra a lição do La-Le-Li-Lo-Luta ensinada pelo educador Paulo Freire.
“O Brasil de baixo para cima não pode ser discurso, tem que ser ação cotidiana, prática verdadeira”, reforça Célio Turino, ex-secretário da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (MinC), fazendo coro com a pedagogia da libertação. Daí, convidamos cada ponto a tecer o fio e puxar a teia de mão dada numa construção constante que inclui mostra artística, roda de conversa e representatividade através do Fórum dos Pontos de Cultura.
Nessa toada de encontros, cultura e comunicação se conjugam num trabalho de articulação e diálogo, visando a construção coletiva de políticas públicas. Tanto quanto é preciso colocar em prática o princípio do Ponto de Cultura, como explica o seu idealizador, Célio Turino: “Eu tirei esse nome a partir de um conceito matemático do Arquimedes – Dê-me um ponto de apoio e uma alavanca que moverei o mundo”. Por isso mesmo, não basta certificar o Ponto de Cultura. É preciso descentralizar e democratizar os meios de fomento e de produção. A lógica dos editais de premiação, que coloca grupos culturais e artistas para competir entre si, vai na contramão do princípio da Cultura Viva que é a colaboração. O resultado desse disputado ringue dos editais é a eliminação [por nocaute técnico] de uma diversidade de projetos que são excluídos de uma política pública que deveria acolhê-los.
Essa é a leitura de um fluxo de trabalho colaborativo que pensa a Rede Potiguar de Pontos de Cultura como território livre com lugar de fala, do afeto e da diversidade. Venha se juntar e se misturar com um coletivo de resistência que celebra 22 anos com ousadia e muita rebeldia potyguaretáme.




