Não sou crítico de nada

Fotografia: Canindé Soares

A arte da crítica exige muitos fatores éticos. Primeiramente, muito conhecimento do que está sendo analisado. E depois, isenção de paixões.

O crítico não deve ser nunca um mero bajulador nem, muito menos, um raivoso, preconceituoso ou mesmo odioso. O que daria no mesmo. Sou apenas um curioso com a nossa Música Popular Brasileira. Pesquisando e lendo o que tenho em minha biblioteca quase todos os dias sobre histórias e biografias de músicos brasileiros. De nossos bons compositores, compositoras, cantores, cantoras e intérpretes.
Nem precisa dizer que em consequência da chegada dessa miserável pandemia, a classe artística e cultural brasileira sofreu importantíssimas perdas. Quase impossível lembrar de todos e todas que anotei em um livro preto, que na verdade é um obituário para minhas pesquisas futuras.
Tivemos a partida do grandioso estudioso da nossa história musical brasileira, o genial José Ramos Tinhorão, autor de dezenas de ótimas obras. Mais recentemente tivemos uma grande perda com a partida do pianista mais famoso vivo do Brasil, o Nélson Freire.
Infelizmente, o povão só conhece o que a TV massifica. Poucos assistem o espetacular programa televisivo do Rolando Boldrin. Verdadeiramente, só escuto música com boa qualidade para meus chatos ouvidos em minha casa. Geralmente os meus CDs e Vinis só tocam aos domingos. E sempre ouço os meus bons e queridos vizinhos ficarem se perguntando, quem é aquele cantor ou aquela cantora que estou ouvindo. Muitos desses artistas por mim escolhidos já partiram há várias décadas, mas continuam vivos em meu coração romântico. E diga-se, seletivo musicalmente.
Hoje, recorro à minha mãe Dona Estela, que nem falava mal dos mortos, como também não aceitava que deles se fizessem ironias em sua casa. Fosse quem fosse, eu só ouvia da boca de minha mãe o seu inseparável perdão: “Que descanse em paz no reino de Deus!”. Para finalizar essa singela missiva dominical, eu lhes confesso que, pouco ouço a chamada música sertaneja em minha casa. E quando a escuto, esse gênero é coisa das antigas. De jeito nenhum me envergonho de não conhecer os músicos atuais que dizem ser sertanejos “sofrênicos”. Não sei seus nomes, suas duplas, como se chamam suas bandas. Podem atirar-me as pedras, pois sou jurássico e velho chato. Confesso. E com firmas reconhecidas em alguns cartórios de Natal.
Portanto, minha filha caçula quase não me perdoou quando eu lhe disse que não conhecia a cantora e compositora Marília Mendonça. Se a mesma me encontrasse na feira do Alecrim, por mim não seria reconhecida. Nunca ouvi suas músicas. E de memória, não guardo uma frase delas. Vivo entranhado no bom passado musical brasileiro. Quase nada conheço do presente. Isso já me deixa muito feliz e em paz. Daqui há pouco, estarei ouvindo três nomes que estão no céu: Glorinha Oliveira, Elizeth Cardoso e Elis Regina.
E o que eu posso dizer neste domingo a amigos, amigas, familiares, leitores e leitoras, é reprisar o que Dona Estela dizia, mesmo sem conhecer a pessoa morta – Que descanse em paz, minha jovem Marília Mendonça! Viva a música romântica popular brasileira!

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