Esta projeto tem como meta a produção de um documentário, tomando como base o impacto das torres eólicas na comunidade de Enxu Queimado, localizada no município de Pedra Grande, a 145 km da capital do estado do Rio Grande do Norte, onde a promessa de progresso e dinheiro deu lugar ao adoecimento do território ancestral.
A proposta é desenvolver um curta-metragem de linguagem documental com duração média de 25 minutos. Uma narrativa carregada de vozes que são ignoradas e silenciadas pelos discursos oficiais e hegemônicos.
Diante de intensa luta de classes o Coletivo Foque faz uso do cinema documental para contar histórias de resistência. Um registo etnográfico da violência colonial ainda sofrida por muitos povos. Esse é o cenário que será desenvolvido a partir do documentário em processo, cuja estratégia de abordagem envolve um planejamento junto à comunidade em questão.
Na construção dessa narrativa a fotografia exerce uma função estética impactante que acompanha e evidencia a luta social. O documentário será desenvolvido por meio de rodas de conversas e entrevistas individuais. Além de imagens de apoio que transportem para o filme a identidade cultural de um povo.
3. Objetivos
– Registrar a presença das usinas eólicas que transformaram as vidas dos moradores de Enxu Queimado.
– Desmistificar o discurso de energia limpa e sustentável por meio do testemunho dos moradores afetados pelas usinas;
– Mostrar aspectos de identidade, a diversidade cultural, as lutas de resistência, além da realidade da comunidade, seus problemas e os transtornos causados pelas torres eólicas;
– Conscientizar a respeito dos danos sociais e ambientais ocasionados pelas eólicas;
– Possibilitar, através dessas narrativas audiovisuais, a mobilização e organização da comunidade.
– Fortalecer redes de apoio e também contribuir para o bem-estar emocional coletivo.
4. Justificativa
O RN é líder na produção de energia eólica no Brasil, com 295 parques eólicos em operação. Uma produção que corresponde a 32% de toda a geração de energia eólica do país, segundo o Mapa das Energias Renováveis do Observatório da Indústria Mais RN. Porém, por trás de todo esse potencial se escondem impactos socioeconômicos, ambientais e tecnológicos, como a emissão de ruído pelas hélices das torres causando distúrbios do sono, enxaqueca e estresse, interferência nas rotas de aves, modificação da paisagem natural, alteração do modo de vida tradicional e danos aos sistemas ambientais litorâneos, especialmente a pesca artesanal. Nossa tarefa é investigar e levar para as telas esses impactos ambientais que mudaram a natureza e a vida da centenária comunidade pesqueira.
A população que ouvia o vento passar junto à rota das aves e a onda que carrega o barco pesqueiro, agora vive o contratempo das gigantes torres eólicas que geram ruido e estragam a vida de pássaros, peixes, praias e da gente que vivem no seu lugar de origem. “Estamos correndo o risco de perder nosso acesso para a praia para exercer a nossa atividade que é a pesca, de onde tiramos o sustento de nossos familiares”, diz Maria Joelma, presidente da colônia dos pescadores, Maria Joelma de Enxu Queimado.
A ideia de “ir passando a boiada” está sendo bem aproveitada pelo mercado das usinas eólicas que fincam suas torres há menos de 200 metros das moradias. Para onde vai se mudar a economia solidária de base comunitária, desenvolvida pela população local como alternativa de renda, que leva em consideração respeito e sustentabilidade social e ambiental? Como fica a história e a cultura da população? “A maioria da nossa renda vem da pesca, um comerciozinho ou outro, mas a atividade principal é a pesca. Queremos que todo mundo ouça nosso grito, que isso também está acontecendo com os quilombolas, os indígenas e outras comunidades pesqueiras. As grandes corporações vão chegando e não respeitam os nativos nem a sustentabilidade da comunidade”, aponta Leonete, que é articuladora da Rede de Educação Cidadã (Recid) e participa de um coletivo de mulheres na comunidade que atua com artesanato, costura.
O povoado que vive basicamente da pesca de lagosta, camarão e peixe, sabe bem as necessidades do território. Diferente dos grandes empreendimentos que não tem a menor preocupação ambiental ou social. Corporações que chegam para roubar o lugar de quem mora na localidade desde sua origem. Esse é mais um drama vivido por uma comunidade que enfrenta ameaças e perigos, como as usinas eólicas que transformaram o vento em depressão.
Alguns países europeus exigem distância mínima de até 1,2 km. A média internacional é de 780 m. Ainda assim, os parques eólicos se instalaram no Brasil sem regra sobre distância mínima entre torres e moradias.
Diante disso, este projeto tem a preocupação em difundir essas informações, visto que ainda há muita carência de conhecimento sobre a verdadeira face da falsa “política de energia”, que termina adoecendo a população e o meio ambiente.
O processo dialético entre cinema e etnografia, que une o audiovisual e a pesquisa etnográfica, é um poderoso instrumento de comunicação, essencial para conscientizar sobre essa realidade que vai sendo afiada ao ponto de traspassar o roteiro. Por isso, a importância de realizar uma obra audiovisual onde a população fale por si mesma, colocando em cena a voz que se levanta, exige seus direitos e conta suas histórias sem a intervenção dos colonizadores.
5. Público-alvo
O desafio de fazer filmes de cunho político e social que toque as pessoas nos leva a pensar um modo de distribuição da obra audiovisual para além dos festivais e das salas de cinema. Então, nosso propósito é transportar a ideia de cinema compartilhado também para circuitos de exibição alternativos, facilitando o acesso do público em geral ao curta-metragem – colônias de pescadores, comunidades indígenas e quilombolas, universidades e escolas secundaristas, congressos, seminários, encontros, praças e ruas. Pensamos também sua exibição aliada ao projeto político-pedagógico das escolas.
6. Resultados esperados
A proposta do curta-metragem em questão é provocar reflexões a respeito das usinas eólicas e suas consequências para as comunidades. Portanto, pretendemos apresentar uma obra dotada de uma linguagem que sirva para mostrar a força do documentário na comunicação popular como instrumento de conscientização e mobilização política. Um cinema plugado no social, que faz pensar além da projeção na grande tela, fazendo repercutir a diversidade étnica/cultural do nosso povo.
7. Planejamento e cronograma de execução
O projetotem por objetivo executar o seu plano de ação no período de janeiro a fevereiro de 2028. Para isso apresenta o cronograma a seguir.
Pré-Produção
O DesenvolvimentodoProjeto está planejado para ocorrer durante todo o mês de janeiro para definir a estrutura do projeto que servirá como preparação para a produção.
– Pesquisa;
– Roteiro;
– Análise técnica;
– Definição da equipe;
– Logística (transporte, alimentação, hospedagem);
– Mapeamento de locações a partir da comunidade
– Organização do plano de produção.
Produção
Será executada nos meses de janeiro e fevereiro através da equipe técnica e artística durante a gravação do curta-metragem.
– Direção
– Fotografia/Drone
– Som direto
– Consultoria
– Aquisição de HD
– Transporte/Combustível
– Hospedagem
Pós-Produção
O processo de finalização do documentário ocorrerá no mês de março.
– Montagem
– Edição
– Trilha sonora
– Acessibilidade
– Legendagem
– Som/mixagem
– Trailer
8. Plano de Comunicação
– Criar um plano de mídia direcionado para as redes sociais, especificamente, Instagram, Facebook, Youtube e WhatsApp para disponibilizar informações e materiais promocionais do filme – Release, vídeos, cartaz, trailer.
– Planejamento visual para campanha de lançamento – Banner, cartaz, folheto direcionado aos circuitos exibidores e à distribuição.
9. Equipe técnica
Roteiro/Direção/Fotografia – Rogério Marques
Cofundador do coletivo foque – mídia de imprensa livre (foque.com.br), comunicador popular, fotojornalista e documentarista, trabalha há mais de 20 anos com jornalismo independente junto ao movimento sindical e popular.
Operador de drone – Canindé Soares
Fotojornalista, documentarista e especialista em drone.
Montagem/Finalização – Taian Marques
Jornalista, pesquisa e desenvolve trabalhos no audiovisual sendo responsável pela fotografia, montagem e edição de documentários e reportagens do Coletivo Foque.
Som e Mixagem – Samuel Felipe
Técnico em som direto, responsável pela captação de áudio e mixagem de documentários e reportagens produzidas pelo Coletivo Foque.
Valor total do projeto: R$ 8.000,00
// Site: foque.com.br
// Acesse canal no Youtube







