
No Calabouço tombou
Um estudante valente,
No Rio de Janeiro ardia
O grito de toda gente.
Vinte e oito de março
Ficou marcado na mente.
Tinha só dezoito anos,
Sonho vivo no olhar,
Queria prato na mesa,
Direito de estudar.
Mas a força da violência
Veio cedo lhe calar.
Mas seu corpo levantado
Pelas mãos da multidão,
Virou chama nas ruas,
Luta e rebelião.
Fez crescer nos estudantes
A coragem da nação.
Ecoou por todo canto
Um clamor que não se desfaz:
Contra medo e mordaça,
Contra o sangue dos mortais,
Na memória do seu nome:
Ditadura nunca mais!
EDSON LUIS DE LIMA SOUTO nasceu em Belém, no Pará, em 24 de fevereiro de 1950, e foi assassinado pela ditadura militar em 28 de março de 1968, durante uma manifestação estudantil secundarista no restaurante Calabouço, Rio de Janeiro.
O tiro foi disparado à queima-roupa pelo tenente Aloísio Raposo, que comandou a invasão e deu ordens para “quebrar tudo”. O auto de exame cadavérico demonstrou que a trajetória do tiro teria sido orientada da esquerda para a direita, de cima para baixo — fato que revelaria a clara intenção de matar.
O velório que virou ato político
Os estudantes que ocupavam o restaurante não permitiram que o corpo fosse levado ao Instituto Médico-Legal (IML) e o conduziram para a Santa Casa de Misericórdia, vizinha ao restaurante e, depois de confirmada a morte, para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O corpo do jovem foi velado durante toda a noite e a Assembleia transformou-se em local de mobilização e resistência. No fim da tarde de 29 de março, cerca de 50 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre até o cemitério em Botafogo, onde Edson Luís foi enterrado ao som do Hino Nacional e aos brados de “Mataram um estudante. Podia ser seu filho”.
Naquele dia, houve manifestações de protesto contra a ditadura em todo o país.
Edson Luís virou símbolo da luta dos estudantes e pela democracia em plena ditadura militar. Seu assassinato desencadeou uma onda de protestos. Em junho de 1968, a histórica Passeata dos Cem Mil acelerou o endurecimento do regime, que decretou o AI-5 em dezembro daquele mesmo ano.
Após décadas, o dia 28 de março é lembrado e celebrado como o Dia Nacional de Luta dos Estudantes junto às bandeiras de Memória, Verdade e Justiça.
“Bala mata fome?” — pergunta que os estudantes gritaram nas ruas do Rio em março de 1968, e que ecoa até hoje.






