A poesia marginal de Maykon Oliiver atravessou paredes e ocupou a Livraria Manibu, no último dia 20 de dezembro, durante o lançamento do livro “O Poeta das Ruas”.

Uma publicação 100% autoral e independente que nasce do chão da rua carregada de resistência. Além do vocabulário social extenso, o livro ainda conta com a arte de @sagatt.ilustra, responsável pelas ilustrações que conversam com essa literatura potente e cheia de marcas da vida. A publicação também contou com o apoio da Fundação Cultural Dona Militana.
Os versos de Maykon são rima e ferida que transformam o cotidiano em poesia viva. Daquela que sangra e grita, fazendo da paisagem das ruas sua voz, escola, refúgio e confronto que recusa hierarquias.
“O Poeta das Ruas” é a palavra rompendo os muros e se reconhecendo coletiva. A livraria virou abrigo temporário, um lugar onde a poesia pôde respirar sem censura e circular como deve: de mão dada com a liberdade e o grito em movimento do poeta Maykon Oliiver:
Vamos em frente
Pé na porta, soco no
estômago, disritmia de seu coração.
Tempo perdido no espaço, sinto
calafrio a cada
passo e pelo que passo não deveria
ser assim. Parece que
vivo em vão e não por mim.
Meu dia passou mais uma
vez, e por mim nada pude
fazer. Queria matar, morrer e
mesmo assim sobreviver. No
fim, queria tudo e nada, bom e
mau, belo e feio, mas nunca
fui banal.
Era uma questão cultural,
essa falta de conhecimento.
Enquanto você corria, eu
estava lento, usando do
talento para conquistar meu
espaço. Pois vamos em
frente, que atrás tem
esculacho…





