Mães de Maio: “Duas décadas de luta contra a impunidade”

“Maio de 2026 marca um aniversário sombrio para a democracia brasileira”, afirma Debora Maria da Silva, uma das mães que perdeu seu filho, Edson Rogério Silva dos Santos, de 29 anos, que foi morto a tiros em Santos (SP). Desde então, Débora se uniu a familiares de vítimas e fundaram o Movimento Mães de Maio para lutar por memória, verdade e justiça.

Duas décadas depois, a maioria dos assassinatos continuam sem esclarecimento. “São vinte anos indo atrás de uma justiça que não nos enxerga”, desembucha a mãe ao reafirmar que a luta não é apenas por memória, mas pela penalização rigorosa de agentes do Estado por um dos maiores massacres da história de São Paulo.

“Em 10 de maio de 2006, sob o pretexto de retaliação a ataques de facções, agentes estatais promoveram uma onda de violência que resultou na execução de mais de 500 pessoas, em sua vasta maioria jovens negros e moradores da periferia, em apenas dez dias. Vinte anos depois, os Crimes de Maio permanecem como ferida aberta, sustentada por inquéritos blindados e uma justiça seletiva que protege seus próprios agentes enquanto pune celeremente a periferia”, relata Débora em tom de desabafo e indignação.

Ela conta que o movimento considera que a falta de punição em 2006 abriu caminho para o Estado brasileiro continuar a matar jovens negros, pobres e periféricos. “O massacre foi institucionalizado por meio de operações recentes na Baixada Santista: a Operação Escudo (2023), com 28 mortes em 40 dias, e a Operação Verão (2023-2024), que acumulou 56 mortos. Juntas, deixaram ao menos 84 vítimas fatais em menos de um ano, repetindo um modus operandi de execuções sumárias e tortura”. As Mães de Maio seguem fazendo da memória uma caminhada de afeto, dignidade e denúncia, mesmo diante da violência do Estado.

“O que faz uma mulher se tornar mãe é o filho. Há 20 anos, o Estado tentou arrancar dessas mães esse título quando, brutalmente e sem explicação, tirou nossos filhos. Mas não conseguiu, sabe por quê? Porque filho não vira ausência quando existe memória. Ninguém há de apagar um amor que ainda existe nestes corações”, diz a publicação do Centro de Memória das Vítimas de Violência do Estado. “Eles seguem vivos no que deixaram e no que sonharam. E essas mães decidiram o que fazer com esta dor: transformá-la em luta por verdade, reparação e não-repetição”.

Neste mês que celebra o Dia das Mães, o Coletivo Foque se junta ao grito coletivo das Mães de Maio na luta por memória, verdade e justiça, desejando que todas as mães tenham a alegria de estar com seus filhos.

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