Fraternidade e Moradia

Ele veio morar entre nós (João 1,14)

 “No caminho da vida sofrida,

há irmãos sem abrigo, sem chão.

Na calçada, no bairro, na espera,

brota o grito, o clamor do irmão.

Mas o verbo se fez moradia

no presépio da simplicidade:

vem morar com o pobre sofrido,

transformando a dor em bondade!”

(Hino da CF 2026 – Crisógono Sabino e Carlos Alberto Santos)   

Com o lema “Ele veio morar entre nós (João 1,14)”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou a Campanha da Fraternidade de 2026. Como no hino da Campanha, “… o verbo se fez moradia no presépio da simplicidade: vem morar com o pobre sofrido, transformando a dor em bondade”.

A situação de milhares de famílias morando em favelas e comunidades, sem as mínimas condições de urbanização ou vivendo nas ruas e praças das diversas regiões do Brasil, faz com que seja urgente políticas públicas de construção de habitações populares ofertando dignidade às camadas mais humildes da sociedade brasileira. É o que propõe a CNBB com a temática da Fraternidade e Moradia.

O texto-base da campanha tem uma série de dados sobre a situação de moradia e a urgência de políticas públicas nesta área tão sensível do ponto de vista humano e social cristão. Conforme os dados do texto-base: No Brasil, o censo de 2022 registrou 12.348 favelas e comunidades onde vivem 16.390.815 pessoas, são quase 10% da população brasileira. Ainda aponta um crescimento da favelização. 

Faz-se necessário rompermos com um modelo excludente de desenvolvimento que ao longo de décadas ergueu muros de exclusão socioeconômica, criando assim nas nossas cidades espaços de pobreza. Lugares em saneamento básico com difícil acesso às políticas públicas de assistência à saúde e educação. Enfim, se fazer presente nas lutas comunitárias por habitação é uma ação de todos em busca de dignidade para todas as pessoas.

A cidade de Natal e suas raízes na criação da Campanha da Fraternidade.

Iniciativa da Igreja Católica nascida no nordeste brasileiro, no estado do Rio Grande do Norte, todos os anos no período da Quaresma realiza a CAMPANHA DA FRATERNIDADE, nascida em Natal na década de 1960, sob a coordenação de Dom Eugênio de Araújo Sales. Natal, provinciana, inaugura um grande projeto de evangelização da Igreja Católica. No início, o apoio efetivo das “Cáritas Brasileiras”, em uma ação com objetivos de intervir nas atividades sociais das paróquias, além de arrecadar fundos para os projetos sociais, teve desde na sua origem a finalidade de divulgar o evangelho nas diversas comunidades do Estado. Logo, o ideal da Campanha ganhou outros estados nordestinos, para tanto contou com a ajuda financeiras de bispos norte-americanos. Abro, aqui, um parêntese para lembrar meu amigo velho, vivíamos o período da chamada “Guerra Fria”, mundo polarizado entre EUA e a antiga União Soviética. Neste sentido a Igreja de certo modo concorre com os sindicatos rurais nas áreas de influência do campo.

Claro que para além das questões políticas ideológicas, floresceu dentro do clero nordestino e se espalhou por todo o território brasileiro o desejo de fazer do evangelho algo “vivo”. Neste sentido a Campanha da Fraternidade ganha as diversas arquidioceses e no dia 26 de dezembro de 1963, sob os ventos soprados do Concilio Vaticano II, é lançado a nível nacional a Campanha da Fraternidade para se efetivar na Quaresma de 1964, da cidade provinciana para o Brasil.

Desde de 1970 que a abertura da Campanha da Fraternidade recebe uma mensagem especial do Papa, assim, o movimento Natal da década de 1960 transcende as fronteiras regionais e se transforma num dos mais significativos momentos da Igreja Católica, agora sob as diretrizes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Nestes anos, a Campanha tem como tom as questões sociais, fazendo da evangelização um movimento de libertação/reflexão das condições vividas por todos os segmentos sociais, sempre com temáticas instigantes/provocadoras a partir das questões sociais. Finalizo com os versos finais do hino da campanha:

“Se o profeta levanta sua voz

É o Cristo que clama também:

Dai morada ao pequeno e ao fraco,

Sede os braços que acolhem o bem.

Nossa fé não se finda no altar:

Partilhar brota em nós comunhão.

Espalhando as sementes do amor,

Nossa fé faz de nós mais irmãos.”

(Hino da CF 2026 – Crisógono Sabino e Carlos Alberto Santos)

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