
Enquanto os chefões das big techs disparam seus algoritmos mortíferos — paridos em série por novidades cibernéticas que não cessam de nascer — persiste, teimosa e relutante, a comunicação popular [que luta para sobreviver em meio ao arbítrio dos robôs].
Linguagem sem escuta, sem lugar de fala, não é libertadora. Ainda mais sob as ondas da Inteligência Artificial: essa máquina sem consciência, sem emoção, criada pelas mais avançadas das tecnologias e aprimorada para substituir o cérebro humano. “O maior delírio coletivo da história da humanidade”, segundo o neurocientista Miguel Nicolelis. Para quem a sigla “IA” vende uma ficção — não seria inteligência.
Nesse meio, a ação-reflexão de que fala Paulo Freire é sabotada pela palavra da moda: essa tal “IA” sem diálogo e incapaz de fazer uma leitura do mundo. Ao contrário da comunicação popular, que se apropria da linguagem como instrumento de conscientização, mobilização e organização social – Ações legítimas de empoderamento e emancipação permeadas pelas dimensões de gênero, raça e classe.
Afinal, comunicar não é simplesmente transmitir conhecimento.
Comunicação de verdade é troca de saberes, é escuta e lugar de fala. Sem isso, nossos territórios — e com eles toda a classe trabalhadora — ficam sem rumo, sem direção. É como deixar o mundo ser dominado por monstros da ficção científica idealizados pelos bilionários do Vale do Silício, região da Califórnia onde se concentram as maiores empresas de tecnologia do mundo — As chamadas big techs controladas por Mark Zuckerberg [fundador do Facebook e CEO da Meta], Reid Hoffman [cofundador do LinkedIn], Ilya Sutskever [cofundador da OpenAI], Elon Musk [proprietário do X, antigo Twitter].
“É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade”, como bem disse Nise da Silveira. Isso se faz a partir de visões de mundo que se refletem na linguagem. Para isso, a comunicação popular precisa ser potencializada como prática coletiva pela imprensa livre. Que seja transgressora e revolucionária.
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