Encontro Virtual Nordeste fortalece articulação rumo à Teia Nacional dos Pontos de Cultura

O Coletivo Foque, integrante da Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, participou nesta segunda-feira (30/03) da Teia Virtual da Delegação Nordeste, rumo à Teia Nacional dos Pontos de Cultura que ocorrerá de 19 a 24 de maio, em Aracruz (ES). No palco dos debates, a justiça climática, diversidade e sustentabilidade.

A Teia Virtual Nordeste reuniu representantes dos 9 estados da região num espaço de articulação política, escuta coletiva e sistematização de propostas. O encontro contou com a participação de Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC (Ministério da Cultura), que destacou a participação e o fortalecimento em rede.

A delegação Nordeste é formada por 282 vozes que fazem acontecer a diversidade de uma região que pulsa a identidade social, política e cultura do nosso povo. São nove estados que seguem de mão dada rumo a 6ª Teia Nacional para reafirmar uma Política Nacional de Cultura Viva descentralizada e capaz de chegar em cada ponto desse país.

Entre janeiro e março de 2026, foram certificados 1.903 novos Pontos de Cultura, totalizando mais de 15 mil em todo o Brasil. Para além desses “maravilhosos resultados”, faz-se necessário que a Política Nacional de Cultura Viva se transforme em ação de fomento permanente, a fim de impulsionar a sustentabilidade de inumeráveis pontos que vivem com o pires na mão a pedir esmola para pagar as contas.

A comunicação popular, potente ferramenta de conscientização, mobilização e democratização da informação, é um exemplo real dessa vulnerabilidade que acomete tantos Pontos de Cultura.

Como bem disse Santo Agostinho, “a esperança tem duas lindas filhas: a indignação e a coragem; a indignação nos ajuda a não aceitar as coisas como são, e a coragem nos ajuda a mudá-las”. O Coletivo Foque levará para a Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, e à Teia Nacional, esse coro de indignação e coragem. Não dá pra continuar sob a governança da humilhação. A exemplo de editais de premiação de Pontos de Cultura no valor de R$ 15 mil para 22 selecionados entre 280 pontos certificados no Rio Grande do Norte.

Por essas e outras o Coletivo Foque se recusou a participar dessa competição humilhante. É preciso respeitar o verdadeiro conceito de Rede. A sustentabilidade reivindicada precisa incorporar o real sentido de coletivo, que já cansou de ver o chão das comunidades ser marginalizado em meio ao discurso de cultura inclusiva. Nossas identidades não podem ser usadas para enfeitar política que favorece “uns” à custa da derrota da grande maioria.

Basta o MinC apurar quem sempre ganha edital cultural e acumula premiação pra entender o tamanho da desigualdade e as bolhas que rondam a “democracia” e a “economia solidária” existentes na Política Nacional de Cultura Viva.

Certificação de Ponto de Cultura, sem política de fomento permanente para todos, não serve. Nossos pescoços não são suficientes para tantos crachás, entre cursos, congressos, seminários, oficinas, encontros… Nossas paredes não cabem mais tantos certificados. Enquanto isso, a sustentabilidade de toda essa cultura acumulada não chega a todos os territórios. A política pública precisa aprender a lição do la-le-li-lo-luta do educador Paulo Freire para dar vez a multidão de invisíveis que faz valer a cultura de ponto a ponto.

Viva as Teias, que juntam identidade e diversidade em momentos de reflexão, mobilização e organização. Já passou da hora de fazer o sol brilhar para todas, todos e todes.

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