O Papel Vital da Antropologia no Equilíbrio entre Desenvolvimento e Meio Ambiente

A relação entre o crescimento econômico e a preservação ambiental, o chamado “binômio meio ambiente-desenvolvimento”, ganhou um novo e essencial protagonista nas últimas décadas: o antropólogo. Longe de ser apenas um observador de “culturas exóticas”, este profissional tornou-se peça-chave na mediação de conflitos territoriais e na garantia de direitos humanos em grandes obras de infraestrutura.

Segundo o estudo do antropólogo Geraldo Barboza de Oliveira Junior, publicado na revista científica INTER-LEGERE, a atuação da antropologia em programas ambientais cresceu exponencialmente após o Brasil aderir à Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Este documento jurídico legitima o direito de comunidades tradicionais — como indígenas e quilombolas — de serem consultadas e de participarem ativamente de qualquer processo que altere seus territórios.

O Fim do “Desenvolvimento a Qualquer Custo”

O artigo traça um histórico que remonta ao período pós-Segunda Guerra Mundial, quando a humanidade percebeu que o modelo de desenvolvimento puramente técnico e econômico precisava de revisão. Na década de 1970, a Conferência de Estocolmo e a Declaração de Barbados marcaram a transição para uma visão mais ética, onde o “objeto” de estudo passou a ser visto como um “sujeito” com voz própria.

Um dos pontos altos da análise é a crítica aos modelos de desenvolvimento baseados em padrões cartesianos que ignoram o conhecimento local. O autor cita as palavras do Tuxaua Macuxi, Caetano Raposo, que em 1994 já alertava: “Nós não somos apenas uns coitadinhos. Nós temos como ajudar o país, até o planeta. Deixem a gente falar”.

O Antropólogo como Perito e Mediador

Atualmente, o antropólogo é convocado para elaborar laudos periciais e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA). Sua função é desmistificar a ideia de que o progresso exige o sacrifício de identidades culturais. No entanto, o texto aponta um paradoxo: apesar da importância técnica para evitar violações de direitos e racismo institucional, o antropólogo ainda enfrenta resistência no mercado de trabalho.

“Em geral, são os últimos contratados e os primeiros a serem demitidos”, observa o autor, referindo-se à posição desconfortável desses profissionais frente a grandes corporações que visam o lucro imediato em detrimento da sustentabilidade social a longo prazo.

Desafios para o Século XXI

Para o futuro, o desafio reside em consolidar uma visão holística de desenvolvimento, onde a diversidade cultural seja vista como indissociável da diversidade biológica. A presença da antropologia nas arenas de decisão política é, portanto, a garantia de que o progresso não será sinônimo de silenciamento ou destruição de modos de vida tradicionais.

Fonte:

OLIVEIRA JUNIOR, Geraldo Barboza de. A contribuição da antropologia às questões relacionadas ao binômio meio ambiente-desenvolvimento. INTER-LEGERE, Natal, v. 5, n. 33, p. c25683, 2022. DOI: 10.21680/1982-1662.2022v5n33ID25683.

Ilustração – IA (ChatGPT/DALL·E)

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