Carestia: Aumento da gasolina, diesel e botijão de gás disparam em meio à guerra de preços

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Fotografia: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras anunciou na quinta-feira (10/3) mais um aumento nos preços dos combustíveis e do gás de cozinha. Gasolina tem reajuste de 18,8%, diesel de 24,9% e o gás GLP 16,1%.

Nas distribuidoras, o litro da gasolina passa de R$ 3,25 para R$ 3,86, alta de 18,8%; o óleo diesel sobe de R$ 3,61 para R$ 4,51, um aumento de 24,9%; e o botijão de gás de 13 quilos passa de R$ 50,18 para R$ 58,21, uma elevação de 16%. Em 12 meses, os reajustes medidos pelo IBGE registraram alta superior a 42% no preço da gasolina, mais de 45% no litro do óleo diesel e 31% no preço do botijão de gás. Uma carestia que será repassada diretamente para a conta do consumidor, que há tempos sente a disparada dos preços nos postos, no fogão e ainda mais nas prateleiras dos supermercados.
Segundo a CSP-Conlutas, “Mega-aumento tem relação com política de preços atrelada ao dólar, adotada pela Petrobras e o governo Bolsonaro”, que chega, agora, movido à instabilidade mundial com a guerra na Ucrânia, por conta das sanções à Rússia que é forte produtor de petróleo. Para a central sindical e popular, “acima de tudo”, o reajuste é novamente reflexo da política chamada de PPI (Preço de Paridade de Importação). “Para garantir os lucros dos acionistas privados da Petrobras, o PPI considera o preço do barril do petróleo, o valor do dólar e os custos de importação para definir o valor dos combustíveis no país. Com a volatidade desses custos nos últimos anos, o resultado é que no país, apesar de sermos um dos maiores produtores de petróleo do mundo, na prática, os brasileiros praticamente pagam a gasolina em dólar”.
A Petrobrás transferiu R$ 101,4 bilhões para os acionistas, a maior apropriação de dividendos da história da companhia, derivada do lucro recorde de R$ 106,7 bilhões em 2021. Tanto lucro nos bolsos dos acionistas, 40% deles estrangeiros, também foi à custa do desmonte da empresa. “As receitas resultantes da venda de ativos subiram 149,6% em relação a 2020, gerando um caixa de R$ 25,5 bilhões”, aponta A Federação Única dos Petroleiros (FUP).
“Não é à toa que o maior lucro da história da Petrobrás foi obtido no ano em que a população brasileira pagou preços recordes dos combustíveis e quando sofremos um dos maiores assaltos ao patrimônio da empresa, com a privatização de diversos ativos, entre eles a BR Distribuidora e a Rlam. Estamos falando da transferência de riqueza dos 210 milhões de brasileiros para grupos privados de investidores, a maioria deles estrangeiros. É indecente”, afirma o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.
De acordo com o Observatório Social da Petrobras, organização formada por sindicatos dos petroleiros ligados à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), “Gasolina e diesel mais baratos reduzem o custo com transporte e ajuda a controlar a inflação, barateando os alimentos e tudo que consumimos. O GLP mais em conta permite que as famílias cozinhem com botijão de gás e não à lenha”. 
Em ano eleitoral, o governo Bolsonaro e o Congresso tentam aprovar medidas populistas com o discurso de redução dos preços dos combustíveis. Na quinta passada, o Senado aprovou dois projetos: o PL 1.472/21, que cria um fundo para amortecer o impacto dos aumentos; e o PLP 11/21, que estabelece uma alíquota única de ICMS no país. Na avalição da CSP-Conlutas, na prática essas medidas não terão resultados significativos (entenda: Projetos sobre preço dos combustíveis entram na pauta do Senado, mas efeitos práticos são questionáveis).
Como afirmam as entidades petroleiras, o novo aumento dos combustíveis só vai piorar a vida da população, principalmente a mais pobre, com aumento da inflação, do preço dos alimentos, transportes. Por isso mesmo, entre as principais bandeiras de luta do movimento sindical e popular está luta pelo fim do PPI e da privatização da Petrobras que têm colocado a empresa cada vez mais a serviço dos interesses da maioria dos acionistas privados.

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