Hoje é o dia de Santo Reis

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Meu patrão minha sinhora
Meu patrão minha sinhora
Cum licença de miceis
Nóis cheguemo aqui agora
Viemo nunciá o Santo Reis
Viemo nunciá o Santo Reis

Através dos versos do cantador e compositor Elomar “viemo nunciá o Santo Reis”, tradicional festa popular celebrada todo dia 6 de janeiro em capelas enfeitadas de fitas coloridas e repletas de cantos e danças.
A exemplo do bairro Santos Reis, em Natal/RN, lugar de memória, brincantes e religiosidade, oficializado em 17 de agosto de 1946 em homenagem aos santos Gaspar, Belchior e Baltazar que são os padroeiros da referida comunidade. Entre os festejos, na manhã desta quarta-feira [05/01] ocorreu a procissão saindo do Santuário dos Santos Reis em direção ao forte dos Reis Magos, onde aconteceu uma celebração eucarística, presidida pelo padre Francisco Lima, e concelebrada pelo padre Anderson Clay.
Neste dia 6, além das missas ocorridas pela manhã seguida de uma feijoada com atração musical no Salão Paroquial dos Santos Reis, ocorrerá logo mais às 15h a procissão motorizada, que percorrerá as principais ruas da cidade do Natal. Às 18h terá a Missa de Dedicação do Altar e Encerramento da Festa no Santuário.
O arquiteto e escritor Nilo Emerenciano diz que há anos não participa dos festejos dos três Reis. “Mas guardo na memória a praça em frente à Igreja, as barracas armadas na lateral e na ladeira que leva às Rocas, a apresentação de grupos folclóricos e principalmente a cestinha e o barquinho multicoloridos que eram vendidos às crianças, ansiosas. Continham farinha de castanha e até hoje não vi igual em lugar algum”.
Ele lembra das brincadeiras como a pescaria, o jogo de argolas, coisas simples que eram feitas pelos moradores do lugar. “Era uma festa provinciana, paroquial, despretensiosa, singela e agradável. Autêntica quermesse. Deveria ser nosso principal evento, ocasião para valorização da nossa história e lembrança dos velhos fatos que ocorreram ali, na praia da Limpa, e no velho Forte. Eu diria que deveria ser feito um investimento gigante, como se diz hoje, mobilizando empresários, artistas, arquitetos, intelectuais e estudiosos para que o nosso ciclo natalino fosse fechado ali, na velha igreja e frente às imagens centenárias do Reis. E incluído no calendário turístico da cidade, fazendo jus às esculturas que recebem, na BR-101, portas da cidade, todos que aqui chegam, sob as bênçãos da estrela de Belém. Tudo tendo como fundo musical a canção de Tim Maia: “Hoje é o dia de Santos Reis/anda meio esquecido/mas é dia da festa de Santos Reis”.
O professor e historiador Luciano Capistrano conta que gosta da história dos Santos Reis Magos. “São àqueles que de origens diversas vão ao encontro do menino Jesus, como que um encontro da diversidade. Temos nos três Reis Magos uma tradição que se confunde com a própria fundação da cidade de Natal, construção que teve início no dia 6 de janeiro, no calendário católico o dia dos Santos Reis Magos. Vale lembrar do Forte dos Reis Magos e do bairro de Santos Reis”.
De acordo com o historiador, “os festejos aos co-padroeiros da cidade com as tradicionais barracas e a vendas dos barcos são encantos a dizer da cultura do povo de Natal”.
Para Gutenberg Costa, presidente da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, ainda bem que Natal mantém suas festas religiosas tradicionais. “Nós temos as festas de Reis, em Santos Reis, a de São Sebastião dia 20 de janeiro, e São Pedro em 29 de junho, no Alecrim. Deixamos de cultuar a grande festa de Nossa Senhora dos Navegantes, na Redinha, que tinha ainda a Festa do Caju”.
Gutenberg lembra que a Festa de Santos Reis é cultuada há muitas décadas. “Antigamente eu visitava a festa em frente à igreja com o tradicional barco de papel colorido recheado de castanhas com farofa de amendoim, que era vendido pelas artesãs. Juntamente à devoção religiosa tinha os chamados ex-votos onde as pessoas depositavam seus agradecimentos em forma de imagens, esculturas de madeira, gesso, que remetem a partes do corpo afetadas por enfermidades. Não sei se ainda existe, mas alcancei muito isso”.
Segundo a Arquidiocese de Natal a festa de Santos Reis é tida como a primeira manifestação religiosa da capital potiguar. “Surgiu junto com a construção da Fortaleza dos Reis Magos, datada do ano de 1598. A festa se popularizou com a chegada das imagens dos Magos, em 1753, presente da Coroa Portuguesa à Capitania do Rio Grande do Norte”.

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