Encontro nacional de forrozeiros e o movimento pela preservação do forró raiz

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Delegação potiguar presente no evento em João Pessoa/PB. Selfie feita pelo cantor/sanfoneiro Jarbas do Acordeon

Todo esse rela bucho, que fez o povo dançar e cochichar durante cinco dias seguidos, começou na segunda-feira [13/12] com a abertura do IV Encontro Nacional de Forrozeiros e o III Fórum Nacional do Forró de Raiz, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo e Centro Cultural Energisa em João Pessoa, capital paraibana.

Como cantarolava o forrozeiro potiguar Elino Julião:
Já que eu tô dentro desse movimento
Vou ficar dentro e não vou-me embora
É melhor tá dentro do que tá fora
Entre um arrasta-pé e outro, muita roda de conversa sobre políticas públicas e ações enraizadas na cultura nordestina e pela preservação do forró pé-de-serra. Um movimento que segue até esta sexta-feira com uma programação recheada de oficinas de dança, exibição de documentários, feira, exposição, shows manifestos, plenária, além da entrega do título de Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil à comunidade forrozeira.
No meio de toda essa zoada o folclorista Gutenberg Costa atendeu a ligação do Coletivo Foque pronto para a nossa entrevista. “Aqui tá um grande rebuliço. De bom”, disse já adiantando o rumo da conversa. Aproveitou para falar da visita que fez a uma feirinha com o experiente doutor Raiz a gritar – “tamarindo para curar diabetes e colesterol!”
Em seguida, Gutenberg que é presidente da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, destacou a apresentação “belíssima” do potiguar Roberto do Acordeon durante o Encontro Nacional de Forrozeiros, que este ano homenageia o cantor Genival Lacerda. “Desde muitas décadas Roberto vem defendendo o forró no Rio Grande do Norte. Então, é só alegria participar de um evento desse com representações de todo o Brasil, e o nosso estado não poderia ficar de fora. Me sinto muito honrado representar o RN nesse respeitado encontro, junto com músicos, estudiosos, gestores, e o folclore sempre defenderá a música autêntica e de raiz que realmente representa o povo, para o bem geral da nação e da cultura popular”.
O professor de música Chico Bethoven explica que forró, segundo Cascudo, é a abreviação de forrobodó. “Antes, nome da festa. Hoje, um gênero musical plural que agrega vários ritmos: Xote, Xaxado, Baião, Arrasta-pé (marchinha junina) e muitos outros estilos que foram surgindo, tendo seus primeiros registros fonográficos no final dos anos 40 do século passado, a exemplo do sucesso “Forró de Mané Vito”, gravado por Luiz Gonzaga em 1948, sendo ele, o maior responsável pela popularização e divulgação do gênero em outras regiões do país, durante décadas, além do Nordeste”.
Segundo a Associação Cultural Balaio Nordeste, responsável pela produção executiva dos eventos, esses fóruns fazem parte de um movimento que tem a tarefa de valorizar e reconhecer o forró como matriz cultural identitária do povo brasileiro. Não à toa, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), enfim, reconheceu o forró como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Para a presidente da Associação Balaio Nordeste, Joana Alves, o evento marca a consolidação de uma luta que vem desde 2011. “Estamos, agora, passados estes quase dez anos, colocando a Paraíba no centro do debate sobre a apropriação do forró pelo povo brasileiro, para muito além de um registro institucional. Agradecemos também ao Iphan pela instrução técnica do registro”.
Toda a programação está limitada a número de vagas e assentos permitidos pelos decretos vigentes da Covid-19 no município de João Pessoa e no estado da Paraíba.
Viva o forró!

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