Enem com o menor número de inscritos desde 2013 é o mais branco da história.

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Charge: Rodrigo Brum
“O que é um Enem com a cara do governo? Entendemos que é um exame que não aborda as diversas temáticas sociais, que exclui a participação de estudantes, que nega a isenção para quem tem direito, que aprofunda as desigualdades sociais e o racismo. Censura e exclusão são muito a cara do governo Bolsonaro, não podemos aceitar esse absurdo!”, expressa a nota publicada no Instagram da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).
A entidade estudantil informa que entrou com uma Ação Civil Pública – junto com a Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação – pedindo na Justiça o afastamento do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Danilo Dupas, “para que o Enem ocorra com responsabilidade”.
Para a Ubes, o presidente do Inep apontou como apenas “falhas de comunicação” toda a falta de estrutura que os alunos candidatos ao Enem passaram esse ano. “Além do resultado já esperado, um Enem nem um pouco democrático, a insegurança e censura continuam em curso pra quem tem o sonho de entrar na faculdade e mudar de vida”, declara a entidade apontando que dezenas de servidores do Inep que pediram exoneração confirmaram que houve interferência do chamado “Tribunal Ideológico” nas questões do Exame Nacional do Ensino Médio.
Na tentativa de abafar mais um escândalo na sua gestão o ministro da Educação, Milton Ribeiro, compareceu à reunião da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados (17/11) e negou controle ideológico do governo nas provas do Enem. “Causou um pouco, ou talvez muita apreensão, foi uma frase do senhor presidente da república que ele disse a respeito de que o Enem tem a cara do governo. Tem a cara sim do governo. O Enem agora tem a cara do governo. Em que sentido? No sentido de competência, honestidade, seriedade”, reforçou o ministro que já afirmara em agosto passado na TV que a “universidade deve ser para poucos”.
“A verdade é que se pensarmos bem, já temos um Enem com a cara desse governo, Enem com o menor número de inscritos desde 2013, Enem mais branco da história, inúmeros problemas no site, falta de responsabilidade com as informações, demissão em massa. Um desastre”, protesta Rozana Barroso, presidente da Ubes. Ela completa que não há como ter tranquilidade diante desse cenário.
Gabriela Leopoldo, tesoureira da Umes Natal, falou ao Coletivo Foque que sonha em ser a primeira da sua família a entrar na universidade, mas ver o desmonte do Enem é o mesmo que olhar para o futuro e ver ele sendo sucateado a cada dia. “O governo Bolsonaro vem cada vem mais colocando nossos sonhos para trás e fazendo com que ainda menos filhos da classe trabalhadora e da periferia consigam entrar na universidade”. Ela denuncia que às vésperas da realização do Enem muitos estudantes não conseguem saber o local das provas. Além de outros que precisam se deslocarem para outras cidades. “Um descaso total que faz parte de um projeto para que a gente não consiga entrar na universidade. Na verdade, é o projeto de sucateamento dos sonhos dos estudantes brasileiros”.
Gabriela diz que que as entidades estudantis têm um papel primordial na sociedade. “A gente vai indo na contramão do Ministério da Educação e do governo Bolsonaro. Enquanto colocavam uma taxa absurda de R$ 85 para o estudante conseguir ter acesso às provas, as entidades estudantis realizaram ações que ligavam pessoas que podiam pagar essa inscrição com pessoas que precisavam de ajuda para conseguir acessar o Enem. Conseguimos pagar mais de 400 inscrições de estudantes do Brasil inteiro. Enquanto estão sucateando a educação, nós estamos aqui em nosso estado passando de escola em escola para falar sobre a importância do movimento estudantil em defesa de uma educação pública de qualidade”.
Ela afirma que a educação precisa ser vista não como um gasto, mas sim como um investimento, até porque tem esse grande papel transformador na sociedade. “Não somos contra só o governo Bolsonaro, mas somos contra todo e qualquer governo que não tenha como prioridade uma educação pública, gratuita e de qualidade. A nossa luta é para levar a educação para cada canto desse país, que todos tenham acesso pleno à escola pública e mudar essa realidade a partir do chão da sala de aula, que é só por ela que a gente vai conseguir transformar a sociedade”.
Gabriela vai fazer as provas do Enem e acredita que ninguém está preparado diante dessa instabilidade. “A gente olha justamente para essa fala do Bolsonaro e pensa que a prova vai ser a cara do governo. Aí se eu vejo lá uma questão que tem uma determinada resposta e sei que é a correta, mas se vejo outra resposta que seria a cara do governo, qual será considerada a correta? Então, em meio a essa instabilidade ficamos sem saber o que fazer, mas a gente vai seguir tudo que aprendeu em todos esses anos de educação e vamos ver como será após o Enem. A nossa luta pela educação vai continuar e tenho certeza que uma hora Bolsonaro vai passar e vamos conseguir trazer de volta uma escola pública que dê mais esperança para os estudantes em vez de trazer mais retrocessos”.        
O Enem, que é utilizado como meio de entrada na universidade, será aplicado nos dias 21 e 28 de novembro para mais de 3 milhões de estudantes em todo o país. No primeiro dia, os participantes farão as provas de linguagens, ciências humanas e redação. No segundo, matemática e ciências da natureza. Os locais de prova estão disponíveis no Cartão de Confirmação de Inscrição na Página do Participante.

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