AO DEUS-DARÁ

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Fotografia: Lenilton Lima

O título dessa matéria retrata o abandono de invisíveis que são ignorados no Brasil ora governado por um monstro.

Os delírios de um presidente que sopra a morte pelos quatro cantos do país levam ao desespero toda uma população em situação de vulnerabilidade. Uma realidade social terrível que joga sonhos na lata de lixo e tem a sobrevivência como lição de vida. Estamos falando de pessoas humildes, acostumas a ouvir que não são nada. E para elas a casa própria com mesa farta não passa de uma fantasia, uma invenção do pensamento. Ao mesmo tempo, tal governante ri histericamente enquanto bebe champanhe festejando o absurdo que gera miséria, fome e genocídio.
O país afunda aos gritos de “Fora Bolsonaro e Mourão!” em meio a mais de 100 pedidos de impeachment assinados por “mais de 1550 pessoas e mais de 550 organizações”, segundo a Agência Pública. “Até agora, apenas 6 pedidos foram arquivados ou desconsiderados. Os outros 130 aguardam análise”, acrescenta a reportagem.
Em resposta aos protestos contra o seu governo, o paranoico ditador desfila em praça pública junto às tropas armadas e seus tanques militares, imitando um dos regimes mais criminosos da história e assumindo a posição de atacante no golpe anunciado.
De um lado, o governo que massacra o povo e degola vidas faz de tudo para escapar do impeachment e da condenação pelos crimes contra a humanidade. Para isto, se arma até os dentes com o objetivo de evitar o fim de um reinado sem saída. E segue como um desafiante desequilibrado.
Do outro lado, o abismo da desigualdade social e econômica aumenta o número de pessoas na extrema pobreza e o de super-ricos, como aponta estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “A pandemia aprofundou a desigualdade social, aumentando o número de pessoas em situação de extrema pobreza, segundo dados do Cadastro Único para programas sociais (CadÚnico)”. A pesquisa revela que “em março de 2020, início da pandemia no Brasil, havia cerca de 13,5 milhões de pessoas nessa condição, contingente que, em março deste ano, havia aumentado em 784 mil pessoas, o que representa um crescimento de 5,8%”.
Segundo estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (REDE PENSSAN, 2021), realizado no final de 2020, cerca de 116,8 milhões de pessoas “conviviam com algum grau de Insegurança Alimentar e, destes, 43,4 milhões não tinham alimentos em quantidade suficiente e 19 milhões de brasileiros(as) enfrentavam a fome”.
A histórica desigualdade social tem se aprofunda ainda mais com as medidas desumanas, como a sugerida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de alimentar os pobres com sobras de comida de restaurantes (CRUZ, 2021). Uma situação que se agravou durante a pandemia. “Ao mesmo tempo, nota-se o aumento no número de super-ricos, altos índices de lucro nas grandes empresas e nos bancos, enquanto as pequenas e médias empresas enfrentam enormes dificuldades. Segundo pesquisa realizada pela Oxfam-Brasil”, acrescenta o estudo publicado pelo Dieese.
Além da pandemia da Covid-19, a economia é mais um vírus que vai matando, a passos lentos, um povo que vive uma realidade deplorável e que é chamado de maneira desprezível como escória. O desafio para acabar com “o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza”, como denuncia Vandré em sua canção, é botar o bloco na rua e fortalecer a luta em defesa dos direitos humanos.

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