Golpe anunciado e saque aos direitos.

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Charge: Carlos Latuff

O capitão reformado do Exército, Jair Messias Bolsonaro, toma posse como presidente do Brasil com a ambiciosa missão de reescrever a história da ditadura e aprofundar a destruição dos direitos humanos.

Desde a posse em 1º de janeiro de 2019, marcada pelo maior esquema de segurança da história, seu governo vem cumprindo à risca toda a pregação autoritária da campanha eleitoral. Logo, a bandeira oficial do país foi transformada em um manto que passou a encobrir o discurso de ódio do bolsonarismo, tendo como aliada as famosas fake news [notícias falsas] que tomaram conta das redes sociais junto com a patriotice da sentença “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”. Um lema enganador que é a xerox de um passado que só envergonha o país e o mundo.
Lembra a estrofe “Alemanha acima de tudo” (1841), que posteriormente se tornou hino do nazismo, sendo proibida no país que chegou foi governado por Hitler. Já no final da década de 1960, durante a ditadura militar, um grupo de paraquedistas do Exército brasileiro chamado Centelha Nativista passou a usar esse alienante “grito de guerra”. Mais uma tagarelice oficial de um presidente que se acha dono do país e senhor de tudo.
Bolsonaro espalha o terror e transforma os direitos humanos em cadáveres. Além das centenas de milhares de mortes vítimas da Covid-19, que muito se deve às brincadeiras de péssimo gosto e à política macabra costuradas no luxuoso salão do Palácio da Alvorada, o governo federal é responsável pela grave situação de vulnerabilidade como no caso da insegurança alimentar que afeta 59,4% da população do país, segundo estudo sobre os efeitos da pandemia. Uma velha ferida que mantem suas veias abertas em meio ao discurso de ódio, à corrupção e ao genocídio.
O desemprego e a fome têm aumentado cada vez mais o número de pedintes [esculachados de “vagabundos”] que se amontoam nas esquinas e sinais de trânsito em busca de alguns trocados. Um negócio nada lucrativo que inclui crianças de rua [chamadas de “pivetes”] e que tem antecedentes históricos nas profundezas da desigualdade social.
São séculos de exploração econômica e dominação política, desde a colonização até os dias atuais, quando o país volta a viver sob o horror do autoritarismo e ameaça de golpe. Velhos preconceitos como racismo, machismo, homofobia permanecem intactos no presente. O bolsonarismo promove o linchamento das conquistas, dos sonhos e de milhares de vida, e ainda assim se mantém impunemente no poder. Isso porque o governo Bolsonaro representa uma mina de ouro para a elite dominante, formada por empresários bilionários e banqueiros.
O poderoso chefão que encarna um certo ditador nazista tenta reescrever a história da ditadura apoiado pela banda podre da política que topa qualquer jogo sujo para se dar bem. Uma sujeira que se esconde por debaixo dos tapetes do Palácio da Alvorada e do Centrão no Congresso Nacional. E agora, perto das eleições de 2021, muito dessa fedentina está de olho no palanque mais apropriado para garantir o velho/novo mandato.
Diante desse universo traumático em clima de ódio só nos resta a luta de resistência, “escrevendo numa conta pra junto a gente cobrar, no dia que já vem vindo, que esse mundo vai virar”, como diz os versos da canção de Geraldo Vandré.

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