Afinal, o que pretende o Governo Fátima para a educação do Rio Grande do Norte?

0
541
 

 

Tem causado uma certa perplexidade entre profissionais da educação do RN que, prestes a entrar no último ano de seu mandato como governadora, a professora Fátima Bezerra não tenha chamado a categoria pra nenhum debate, não colocou nada em perspectiva, e nem propôs nada de novo para a educação do estado que, como todo mundo sabe, não figura entre as melhores do país.
Com uma carreira política lastreada na educação, como deputada e como senadora, criou-se uma expectativa no seio da categoria de que teríamos pelo menos um governo que nos ouvisse, mas a realidade que se impõe é a dos professores sendo informados dos rumos da educação pelas entrevistas desastradas do secretário, dadas à televisão.
Plenamente conscientes da crise que paira sob o Estado do RN há vários anos, os profissionais da Educação do RN engoliram a seco o impasse do Governo para pagar o piso salarial (bandeira que a então deputada e senadora Fátima sempre defendeu), e apesar do desgaste crescente, ainda há uma parcela da categoria disposta a se sacrificar em prol do governo, entre outras coisas, pela simpatia à figura da governadora (ou mais pelo que ela simboliza), e pelo receio da volta das oligarquias. A ideia de associar o sucesso desse governo com o sucesso da educação pública, aos poucos, vai deixando de existir.
É necessário destacar que, mesmo antes da pandemia, o governo Fátima já não mostrava a que veio na Educação, e a Secretaria de Educação seguia funcionando igualzinha como nos governos anteriores. Com a chegada da pandemia do Covid-19, a falta de um projeto claro, e de uma postura aberta ao diálogo (termo que os aliados do governo reproduzem bastante através de leituras superficiais de Paulo Freire) ficou ainda mais evidente, e a esperança de uma guinada na educação deu lugar à incerteza de como serão as coisas no pós-pandemia.
Com incredulidade os diretores de escola viram a Secretaria de Educação batendo cabeça para realizar a simples entrega de quatro kits alimentares às famílias durante toda a pandemia.  Escolas que necessitavam de reparos pontuais passaram um ano e meio fechadas sem nenhuma intervenção, apesar das cobranças relativas aos “protocolos de biossegurança”. Inúmeras sugestões dadas para atenuar o impacto da pandemia no ensino não foram sequer experimentadas, ficando as cobranças para as escolas se virarem sozinhas, cada uma do jeito que puder.
É necessário que se abra um amplo e fraterno debate sobre a educação potiguar, que elabore um diagnóstico claro, e a partir de então, construa um novo paradigma pedagógico capaz de dar respostas aos novos problemas e aos que já se arrastam há muito tempo. Como superar o analfabetismo nos anos iniciais? Como será a relação com as Tecnologias da Informação e Comunicação daqui pra frente? Como encarar as distorções causadas pela pandemia? Como tornar a Secretaria de Educação menos burocrática? Essas são apenas algumas das muitas questões que se impõe a educação do RN, e que curiosamente já tem muita gente pensando sobre, mas infelizmente não encontram espaço para fazer a discussão florescer. Poderíamos ter aproveitado o período de pandemia para iniciar o debate de forma remota, e ter uma volta às aulas mais organizada, mas não ocorreu. Ainda há tempo, e disposição de sobra por parte da categoria em contribuir para uma virada que há muito se espera.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here