ordelistas do RN participam do 1º Congresso Brasileiro de Cordel
Entre os dias 20 e 22 de março a capital pernambucana será palco de um marco histórico para a cultura popular: o 1º Congresso Brasileiro de Cordel. O evento reunirá cordelistas, pesquisadores, educadores e amantes dessa literatura popular.
Reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a literatura de cordel tem suas raízes na tradição oral e na poesia impressa em folhetos, tradicionalmente vendidos em feiras. Com linguagem acessível, rimas marcantes e forte conexão com o cotidiano do povo, o cordel se consolidou como uma das formas mais autênticas de comunicação popular no país.
O 1º Congresso Brasileiro de Cordel marca um momento histórico para a valorização da literatura popular nordestina, sua preservação e difusão da era digital. Além de prestar homenagem a nomes fundamentais dessa linguagem, como Leandro Gomes de Barros, considerado pioneiro da literatura de cordel no Brasil, e Patativa do Assaré, cuja obra se tornou referência nacional. Será um momento de celebração e fortalecimento de uma das mais autênticas expressões da identidade nordestina.
Serão três dias de programação com mesas de debate, oficinas, recitais, lançamentos de livros e exposições, discutindo temas como o uso do cordel na educação, sua presença nas escolas e os desafio da preservação e difusão na era digital.
Ao promover esse encontro inédito, o congresso contribui para fortalecer redes culturais e reafirmar a importância da literatura de cordel como patrimônio vivo do povo brasileiro — uma arte que resiste, se reinventa e segue encantando gerações.
O Rio Grande do Norte estará presente com uma delegação de quase 40 representantes, formada por cordelistas, pesquisadores e militantes da cultura popular. A articulação da participação potiguar foi conduzida pela Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel (ANLIC-RN) e pela Academia Mossoroense de Literatura de Cordel, com apoio de coletivos e espaços culturais como Aves de Rapina, de Mossoró, Cordelutas, Casa do Cordel e o Ponto de Memória Estação do Cordel.
O congresso pretende consolidar um espaço nacional de debate sobre o cordel enquanto expressão literária e patrimônio cultural brasileiro, reunindo diferentes gerações de poetas e estudiosos para discutir desafios contemporâneos, políticas públicas e estratégias de valorização da produção cordeliana.
Segundo o cordelista Nando Poeta, presidente da ANLIC-RN, o encontro deverá aprovar uma pauta nacional de reivindicações voltadas ao reconhecimento e fortalecimento do cordel no Brasil. Entre os pontos em discussão estão propostas relacionadas à educação, incentivo à produção editorial, preservação da memória cultural e ampliação das políticas públicas de apoio à literatura popular.
A participação da delegação do Rio Grande do Norte no congresso foi resultado de um esforço coletivo de mobilização. Para ajudar a custear a participação dos representantes do estado, a comissão organizadora promoveu uma rifa que contribuiu para reduzir o valor das inscrições. Os participantes ficaram responsáveis pelas despesas de hospedagem e alimentação.
O deslocamento até Recife foi viabilizado por meio da disponibilização de um ônibus pela Fundação José Augusto (FJA), após solicitação formal encaminhada pela organização da delegação potiguar.
Durante o encontro, os participantes devem apresentar a Carta do Recife – Manifesto do Movimento Cordeliano Brasileiro, documento político e cultural que reafirma o cordel como gênero da literatura brasileira e reivindica políticas permanentes de salvaguarda dessa tradição.
Entre as propostas presentes no manifesto estão a inclusão do cordel no currículo da educação básica e superior, a criação de cordeltecas em escolas públicas, editais específicos para publicação de folhetos, digitalização de acervos históricos e reconhecimento do cordel como parte da economia criativa brasileira.
Realizado setenta anos após o 1º Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, ocorrido em 1955, o encontro em Recife marca um novo momento de organização nacional do movimento cordeliano.
Ao final do congresso, os participantes devem reafirmar o compromisso coletivo com o fortalecimento do cordel como patrimônio vivo da cultura brasileira. A Carta do Recife também convoca academias, universidades, escolas, secretarias de cultura e educação, além de instituições como o IPHAN e o Ministério da Cultura, a construir uma agenda permanente de valorização da literatura de cordel no país.







