1º Congresso Brasileiro de Cordel cria Federação e aprova Carta do Recife

Em Recife se juntou
Poeta de todo canto
Pra fazer do seu saber
Verso, rima e encanto
Uma força organizada
Com garra e acalanto.

Vinte de março chegou
Com Cordel e sua essência
E o Congresso chamou
O povo pra resistência
Do cortejo ao sarau
Foi cultura em evidência...”

Os versos de Glácia Marilac, construídos coletivamente com Gelson Pessoa, anunciam o tom do I Congresso Brasileiro de Cordel. Foi assim que poetas cordelistas de 16 estados transformaram a capital pernambucana em território de versos, encontros e resistência cultural.

Logo no primeiro dia (20/03), cordelistas de várias regiões do país lotaram o Plenarinho da Câmara Municipal do Recife numa reunião pública em defesa da valorização do cordel. Em seguida, o auxilio luxuoso de um pandeiro, um violão e um triângulo fez coro com o refrão do cortejo de cordel que percorreu as escadarias da chamada Casa do Povo:

sou cantador
sou popular
sou nordestino
sou cultura popular”

Enquanto o credenciamento e a feira de cordel movimentavam o pavilhão do Sindicato dos Bancários, mais um cortejo vibrante tomava as ruas do Recife, espalhando a força da cultura popular.

No meio do percurso, uma livraria virou porto de abrigo e poesia: ali, o sarau cantado se fez roda, e os versos passaram a cirandar pelo salão, embalando vozes, rimas e encantos.

A noite chegou iluminando o palco da feira de cordel com a poesia e a cantoria.

A abertura oficial do Congresso levou para a mesa a temática da Salvaguarda do Cordel, que debateu com o público os desafios e as estratégias dessa literatura que é Patrimônio cultural imaterial brasileiro.

Durante três dias, o Congresso promoveu intensos debates sobre temáticas como o cordel na formação universitária; a criação poética em tempos de Inteligência Artificial; o preconceito como verso de pé quebrado que atravessa a cultura; políticas públicas de fomento permanente e valorização da produção cordeliana; além do movimento de organização da luta por reconhecimento.

A programação também deu um verdadeiro show de glosas, com versos improvisados a partir de motes engajados e temperados com amor. Foi um espetáculo de criação no improviso, cordéis nascidos de supetão no calor da inspiração.

A volta pra casa foi marcada pela certeza de fortalecer a recém criada FEBRACORDEL, a Federação Brasileira de Cordelistas que vai representar todas, todos e todes que fazem do cordel essa literatura genuinamente nordestina.

O 1º Congresso Brasileiro de Cordel reuniu 146 participantes, que levaram na cachola saberes que foram compartilhados de mão dada com a cultura popular.

Diretoria provisória da FEBRACORDEL

  • Susana Morais // Pernambuco
  • Graziela Barduco // São Paulo
  • Jotace Freitas // Bahia
  • João de Castro // Pará
  • Lucivânio Correia // Ceará
  • Simone Carla // Pará
  • Nando Poeta // Rio Grande do Norte
  • Alexandra Lacerda // Santa Catarina

Confere a Carta do Recife aprovada na plenária final do Congresso:

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