
Pressão popular toma as ruas e cobra do Senado uma decisão que pode mudar a rotina da classe trabalhadora brasileira: o fim da escala 6×1.
Esse foi o tom das manifestações que tomaram conta do país nesta terça-feira (30/06). Faixas, cartazes e palavras de ordem reforçaram o recado para que o Senado coloque em pauta, sem enrolação, a proposta de redução da jornada de trabalho. Em Natal, manifestantes ocuparam a Avenida Salgado Filho e seguiram em caminhada pela Avenida Roberto Freire.
Trabalhar para sobreviver ou sobreviver para trabalhar?
A escala 6×1 tornou-se um modelo de organização do trabalho que concentra quase todo o tempo do trabalhador na produção, restando apenas um dia para descanso, convivência familiar, lazer, cultura, estudo e cuidados com a própria saúde.
Nas últimas décadas, a tecnologia transformou profundamente o mundo do trabalho. Máquinas, automação e inteligência artificial elevaram a produtividade em praticamente todos os setores da economia. Em vez de trabalhar menos para viver melhor, a classe trabalhadora continua submetida a uma jornada intensa, agravada por horas de deslocamento entre casa e trabalho.
Tempo também é um direito
A discussão sobre a redução da jornada não trata apenas de economia. Ela envolve saúde pública, educação, participação política e qualidade de vida. Quem trabalha seis dias por semana dificilmente consegue frequentar um curso, acompanhar a vida escolar dos filhos, participar de atividades culturais ou simplesmente descansar de forma adequada.
O resultado aparece nas estatísticas sobre adoecimento mental, estresse, ansiedade e síndrome de burnout, problemas cada vez mais presentes na vida de quem enfrenta jornadas desumanas – como o caso da escala 6×1 – que massacra a dignidade da classe trabalhadora.
Já passou da hora do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, colocar em votação a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 221/2019, que acaba com a escala 6×1 e estabelece a jornada 5×2 com direito a dois dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer redução salarial. A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio deste ano.
Na manhã desta quarta-feira, Alcolumbre reuniu-se com representantes das centrais sindicais, do movimento VAT (Vida Além do Trabalho), além de parlamentares. O encontro ocorreu pouco antes da 0sessão de debate do Plenário sobre o tema em questão.



