
Entulho, descarte irregular de resíduos e ocupações improvisadas avançam sobre uma das maiores áreas verdes da cidade, comprometendo o meio ambiente e a qualidade de vida da população.
O que deveria ser um espaço de convivência, lazer e preservação ambiental vem sendo lentamente transformado em um depósito de lixo e construções improvisadas. Montes de resíduos domésticos, restos de poda, plásticos, papelão, entulho e alvenaria dividem espaço com árvores de grande porte, revelando a falta que faz a educação ambiental.
As imagens registradas pelo Coletivo Foque mostram o contraste entre a vegetação ainda preservada e a degradação provocada pela ação humana. Em alguns pontos, pilhas de areia, tijolos e materiais de construção ocupam áreas antes livres, enquanto o lixo se acumula às margens da via pública, comprometendo a paisagem e aumentando os riscos ambientais.
Não se trata apenas de um problema estético, o descarte irregular favorece a proliferação de insetos, ratos e outros vetores de doenças, além de contaminar o solo e dificultar a infiltração da água da chuva. O impacto também atinge a biodiversidade urbana, reduzindo áreas de abrigo para aves e pequenos animais.
A situação evidencia um desafio recorrente nas cidades brasileiras: a ausência de políticas permanentes de educação ambiental aliada à fiscalização insuficiente. Quando o espaço público deixa de ser cuidado pelo poder público e pela própria população, o abandono passa a ser naturalizado, abrindo caminho para novas ocupações irregulares e para a degradação contínua.

Embora a área ainda mantenha árvores capazes de amenizar a temperatura, capturar carbono e melhorar a qualidade do ar, esses serviços ambientais ficam ameaçados diante do avanço do lixo e da impermeabilização do solo provocada pelo acúmulo de entulho e estruturas improvisadas.
É preciso proteger áreas verdes com projetos de recuperação ambiental, implantação de equipamentos de lazer, trilhas, iluminação, arborização complementar e ações permanentes de limpeza e monitoramento. Espaços públicos bem utilizados tendem a reduzir o descarte irregular e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade.
A recuperação da área depende não apenas da remoção dos resíduos, mas também de fiscalização contínua, oferta de pontos adequados para descarte de entulho e resíduos volumosos, além do envolvimento da população na preservação de um patrimônio que pertence ao próprio território.
Enquanto isso não acontece, o cenário registrado permanece como um retrato da disputa entre natureza e abandono: de um lado, árvores que resistem e continuam oferecendo sombra e vida; do outro, o avanço silencioso do lixo e de construções alheias ao respeito com a vida.



