
Uma mobilização comunitária está em andamento no conjunto Santa Catarina, na zona norte de Natal. A comunidade decidiu dar vida a um terreno baldio que há décadas está abandonado. O antigo sonho da área de lazer deu mais um passo à frente nesta terça-feira (03/06).
Uma comissão de moradores se juntou ao Ponto de Cultura Coletivo Foque durante a reunião com o secretário municipal de Esporte e Lazer, Hermes Câmara, e a deputada estadual Divaneide Basílio. Na ocasião, a comissão fez a entrega de um ofício com a reivindicação da comunidade, que arregaçou as mangas e foi à luta por políticas públicas que garantam o direito à cidade com esporte, cultura e lazer para pessoas de todas as idades.
Como resultado da reunião, ficou agendada uma visita do secretário ao terreno baldio – localizado entre o Hospital José Pedro Bezerra e a Escola Estadual Peregrino Júnior. O objetivo é conhecer de perto a realidade da área e buscar soluções para atender uma reivindicação histórica da comunidade.
Diga-se de passagem, a reivindicação vai muito além da construção de equipamentos urbanos. Em um bairro marcado pela ausência de espaços públicos adequados para atividades esportivas, recreativas e culturais, o que está em pauta é a qualidade de vida de milhares de moradores de diferentes gerações.
O esporte e o lazer são direitos garantidos pela Constituição Federal. Mas, muitas vezes, são direitos que existem mais no papel do que na paisagem urbana. Mato alto, abandono, paisagem comum de tantos lotes esquecidos nas periferias urbanas. Mas, para os moradores do Conjunto Santa Catarina, esse pedaço de chão guarda outra imagem: crianças brincando, jovens praticando esportes, famílias ocupando o espaço público e a vida comunitária acontecendo ao ar livre.
Em tempos em que as cidades parecem cada vez mais desenhadas para os carros, para o concreto e para a pressa, a reivindicação dos moradores do Santa Catarina aponta para outra direção. Fala sobre o direito de permanecer no bairro e desfrutar dele. Sobre ter onde jogar bola, caminhar, conversar, encontrar os vizinhos. Sobre fazer da cidade um lugar para viver — e não apenas para atravessar.
Um terreno vazio pode continuar acumulando lixo e esquecimento. Ou pode se transformar em praça, quadra, parque, encontro. Pode deixar de ser um problema urbano para se tornar um patrimônio coletivo.
A visita do secretário de Esporte e Lazer, marcada para a próxima semana, não resolve, por si só, uma reivindicação histórica. Mas demonstra que a mobilização da comunidade começa a abrir caminhos. A luta do Santa Catarina por uma área de lazer é, no fundo, uma luta por algo maior: o direito de imaginar um outro mundo possível para o lugar onde se mora. E de transformá-lo em realidade.








