
Após cinco semanas de greve geral e intensas manifestações, a rebelião popular na Bolívia enfrenta a repressão e as medidas de arrocho do governo de Rodrigo Paz.
Mesmo diante da criminalização do movimento, a greve geral convocada pela COB (Central Operária Boliviana) paralizou milhares de atividades em todo o país. Crescem as marchas e os bloqueios em pontos estratégicos, incluindo áreas urbanas e rurais. Participam das mobilizações, mineradores, camponeses Ponchos Rojos, trabalhadores da indústria, professores, comerciantes e transportadores.
Diante da crise pelo fechamento prolongado das vias, foi criado um corredor humanitário para garantir o tráfego de produtos básicos, medicamentos, insumos hospitalares e outros itens essenciais.
A luta do povo boliviano reflete a batalha da classe trabalhadora em toda a América Latina e no mundo, que não aguenta mais carregar o fardo da crise econômica nas costas. O que começou como uma mobilização por reivindicações específicas — como aumento salarial, combustível de melhor qualidade e a revogação de determinadas leis — transformou-se em um movimento que exige a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
O cenário é marcado pela crise de combustíveis, inflação elevada — em torno de 14% ao ano —, escassez de alimentos e medidas que ampliam a privatização de recursos naturais e empresas públicas.
A Bolívia vive sua maior crise política e social desde a chegada da direita ultraliberal ao poder. A greve geral impulsionada pela COB, juntamente com sindicatos camponeses, indígenas, mineiros e transportistas, colocou o país em um estado de intensa turbulência social.
A COB afirma que o governo tenta impor um pacote neoliberal que ameaça direitos históricos da classe trabalhadora e abre caminho para a privatização de setores estratégicos da economia.
Entre as medidas contestadas está o Decreto Supremo 5503, que eliminou subsídios aos combustíveis e ampliou a participação do capital estrangeiro nos setores de mineração, energia e infraestrutura. Segundo os movimentos sociais, a medida provocou aumentos de até 86% no preço da gasolina e mais de 160% no diesel. O impacto foi imediato sobre os preços dos alimentos, do transporte e da cesta básica. Mineiros cooperativistas denunciam paralisações por falta de combustível, enquanto sindicatos urbanos afirmam que o custo de vida se tornou insustentável.
Comunidades indígenas e rurais também denunciam que a Lei 1720, apelidada por setores camponeses de “Lei Marinkovic”, favorece o agronegócio e permite transformar pequenas propriedades comunitárias em ativos financeiros sujeitos a embargo bancário, colocando em risco territórios históricos do campesinato e dos povos originários.
O governo respondeu aos protestos com repressão e criminalização dos movimentos sociais. A Justiça boliviana chegou a emitir uma ordem de prisão contra Mario Argollo, secretário-executivo da COB, acusado de “instigação pública ao crime”, “terrorismo” e outros delitos.
A central sindical denunciou perseguição política e afirmou que o governo tenta silenciar a direção operária. Argollo respondeu afirmando que “não vão nos dobrar na luta que empreendemos” e acusou o governo de usar ações penais para intimidar lideranças populares.
Em meio aos protestos que tomam conta do país, os Estados Unidos manifestaram apoio ao governo de Rodrigo Paz para “restaurar a ordem”. Para os movimentos sociais, a posição norte-americano confirma uma aliança entre o novo governo boliviano e os interesses estratégicos dos EUA na região.
Solidariedade latino-americana e internacional
A rebelião popular na Bolívia exige solidariedade de classe em apoio à luta do povo boliviano e contra as violações de direitos humanos. Para os movimentos sociais, dirigentes populares não podem ser tratados como criminosos por liderarem greves e protestos.
A saída para a crise, defendem as organizações populares, passa pelo atendimento das reivindicações, pelo respeito à voz das ruas, pela suspensão das medidas repressivas, pela libertação dos detidos pelo fim da perseguição às lideranças sindicais e dos movimentos sociais.






