
A música popular brasileira ficou mais silenciosa neste sábado (30/05). A partida de Gilson Vieira da Silva, aos 73 anos, deixa uma ausência que não cabe apenas nas notas de uma canção, mas na memória afetiva de gerações inteiras que encontraram abrigo em suas melodias. Autor de clássicos que atravessaram décadas, Gilson transformou sentimentos simples em versos eternos, daqueles que parecem ter sido escritos para morar dentro da vida das pessoas.
Natural de Macau, no Rio Grande do Norte, ele carregou a música potiguar país afora com a delicadeza de quem compreendia o valor dos pequenos sonhos. Em um país marcado por desigualdades, suas composições falam de afeto, saudade, esperança e pertencimento. Não por acaso, “Casinha Branca” tornou-se mais do que um sucesso: virou um refúgio poético para milhões de brasileiros, uma lembrança de que a felicidade também pode morar na simplicidade.
Gilson não escreveu apenas canções. Escreveu paisagens emocionais. Sua obra atravessou rádios, novelas, bares, encontros familiares e corações apaixonados. Também deixou sua assinatura em composições como “Verdade Chinesa”, “Fim de Solidão” e “I Love You”, ampliando um legado que ajudou a moldar parte importante da música popular brasileira.
A notícia de sua morte provoca tristeza, mas também convoca a celebração de uma trajetória construída com sensibilidade e talento. Há artistas que passam pelo tempo. Outros permanecem nele, assim como Gilson. Sua voz pode ter silenciado, mas suas canções continuam caminhando pelas ruas, pelas lembranças e pelos sonhos de um povo que aprendeu a cantar junto com ele.
Hoje, o Brasil se despede de um compositor. Mas a música brasileira ganha mais uma vez a dimensão da eternidade. Enquanto alguém sonhar “ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde pra plantar e pra colher, ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer”, Gilson continuará presente, habitando o lugar onde os verdadeiros artistas nunca morrem: a memória coletiva de seu povo.









