1° de Maio: A palavra de ordem da vez é Fora Bolsonaro!

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Ilustração de Wladimir F. Marinho

Há mais de cem anos o movimento sindical e popular celebra o 1º de maio com mobilizações e protestos nas ruas para reafirmar as lutas históricas da classe trabalhadora. São batalhas sempre presentes na fábrica, na escola, no camelódromo,ina cidade e no campo.

O Dia Internacional dos Trabalhadores chega neste ano de 2022 em um momento de profunda crise política, econômica e social em meio a políticas governamentais que rebaixam salários e retiram direitos trabalhistas e sociais. A classe trabalhadora segue submetida à opressão e exploração que só faz a vida piorar. Um tempo de incertezas, mas também de resistência e muita luta. A palavra de ordem da vez é “Fora Bolsonaro!”
O corre-corre de pegar o transporte coletivo lotado para mais um dia de trabalho continua sendo uma batalha sem descanso que nunca chega ao fim. O cordel de Nando Poeta dá o tom desse momento em que é preciso ir à luta sem pedir licença.
Patrões e governos fazem
Sua grande tirania
Atacam nossos direitos
Num ato de covardiaia
“Essa realidade precisa mudar, não dá pra ficar vendo os ricos cada vez mais no topo e o povo pobre cada dia mais longe de ter uma vida digna, lutando todos os dias para não faltar pelo menos a sua comida na mesa”, desembucha Taiana Marques, social média do Coletivo Foque. Na sua opinião, somente uma grande revolução pode mudar toda essa realidade. “Juventude é revolução, seguimos firmes na luta contra toda a opressão do sistema capitalista”.
O vírus mais perigoso
Letal, cruel, assassino
É o vil capitalismo
Que mata o peregrino
Que luta por sua vida
Na busca do seu destino
A coordenadora do Sindesind/RN, Maria Gerlane, lembra que o desmonte dos direitos da classe trabalhadora se consolidou com a reforma Trabalhista em 2017. “Porém, esses retrocessos e perdas já eram vivenciados muito antes da reforma. “Neste contexto, vimos trabalhadoras e trabalhadores de entidades sindicais sendo chamados para assinar Acordos Individuais de Trabalho, uma anomalia histórica e inconstitucional”. Para ela, se faz necessário a união de classe neste 1º de maio. “Estamos de maneira incansável construindo a luta e debatendo o fortalecimento de nossas entidades na defesa da classe trabalhadora”.
A professora e historiadora Aluízia Freire reclama dos baixos salários e da retirada de direitos. “Nesse sistema capitalista a classe trabalhadora é a principal prejudicada e as mulheres ainda mais. Diante de uma crise econômica somos nós mulheres que mais sentimos os reflexos da exploração e opressão com a tripla jornada de trabalho, a violência doméstica, o desemprego”.
Para Alexandre Guedes, da CSP-Conlutas, o 1º de maio é um dia que resgata a história de luta da classe trabalhadora pelos seus direitos. Ele explica que o Brasil paga todo ano mais de um trilhão de reais aos bancos e defendeu a suspensão do pagamento dessa dívida pública. “O país tem uma reserva que fica guardada para remunerar o capital bancário, que podia ser destinada para as necessidades sociais. Ainda tem as sobras de caixas dos poderes legislativo e judiciário. É preciso a classe trabalhadora se unir para garantir a vida e os direitos”.
O capitalismo mata
Promove a fome e a guerra
Para garantir seus lucros
E seu domínio da terra
Explora, escraviza o povo
Nas alturas de uma serra

O engenheiro e professor do IFRN, Hugo Manso, comenta que “os desafios da classe trabalhadora no Brasil se colocam num período em que os sindicatos estão fragilizados e as demais organizações de esquerda não construíram um programa claro que enfrente novas formas de exploração, a total desregulamentação das relações de trabalho e o teletrabalho. “Para nós, educadores e militantes da esquerda, que pensamos o desenvolvimento de forma articulada internacionalmente, a componente ambiental da crise e a necessidade de uma nova configuração geopolítica são urgentes. Hoje, a ausência de lideranças e referências de um projeto socialista internacional nos deixa em uma situação defensiva que precisa ser superada em um ritmo de aceleração política nunca vivenciado”. Por último, chama a atenção para a atualidade da frase de Karl Marx: “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!”
Sucessivas mobilizações explodem em lutas contra a carestia dos alimentos e preços dos combustíveis, a destruição do meio ambiente e ataques aos direitos, promovidos por governos e patrões.
Trabalhadores do setor privado de várias categorias, o funcionalismo municipal, estadual e federal como saúde e educação realizam greves e paralisações em todo o país. Moradores de ocupações lutam contra despejos, povos indígenas e quilombolas resistem aos ataques do governo Bolsonaro aos seus territórios.
A juventude faz coro com o movimento sindical e popular por justiça e igualdade social.
Por emprego, direitos e aumento geral dos salários!
Pela redução e congelamento dos preços dos alimentos, combustível e gás de cozinha!
Pelo direito à moradia, Despejo Zero!
Demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, já!
Fora Bolsonaro e Mourão!
Fora as Tropas de Putin e pelo fim da OTAN!
MEMÓRIA
A origem do 1º de Maio está diretamente ligada à luta pela redução da jornada de trabalho. Estudos do saudoso Vito Giannotti apontam que durante a I Conferência internacional dos trabalhadores, ocorrida no ano de 1864 em Londres, os 50 presentes decidiram que a luta central seria pela redução da jornada de trabalho. Vinte anos depois em Chicago, nos Estados Unidos, aconteceu uma greve geral pelas 8 horas.
“A repressão dos patrões e seu governo foi violentíssima. Quase mil feridos e cinco líderes condenados à forca”, lembrou Giannotti.
As históricas batalhas do passado não foram em vão. Em 1920 a Organização Internacional do Trabalho (OIT), criada após a I Guerra Mundial, recomendou a jornada de 8 horas em todos os países. Aos poucos, muitas outras Leis Trabalhistas, como o descanso aos domingos, férias, licença maternidade, aposentadoria, Previdência Social, salário mínimo, foram sendo conquistadas.
Vale lembrar que todas essas conquistas, a exemplo da redução da jornada de trabalho, foram obras dos próprios trabalhadores. Desde as primeiras formas de organização no final do século XIX, até os dias atuais com os sindicatos, foram muitas lutas de resistência contra toda forma de opressão e exploração. Entre o início do século XX e o ano de 1920 foram mais de 400 greves organizadas pela classe operária.
Por isso, todo 1º de Maio trabalhadores do mundo inteiro vão às ruas para lembrar a memorável greve de 1886 em Chicago. Uma luta que continua presente, diariamente, na cidade e no campo.

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