
Existe um Brasil escondido
Que faz brotar solução
Mesmo em chão enfraquecido
Cultiva transformação
Com coragem e resistência
Faz da luta experiência
E semeia inclusão
O cordel que faz circular saberes celebra o Festival de Soluções Sociais, ocorrido de 27 a 29 de maio no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília (DF).
O Festival integra o 13º Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, que neste ano impulsionou mais 200 iniciativas comunitárias de todas as regiões do país. Foram três dias de intensa troca de saberes até o momento mais esperado – as cinco premiações na categoria Novas Tecnologias Sociais e duas na categoria Desafio Fundação Banco do Brasil 40 anos.
Um fomento de R$ 6 milhões para 40 iniciativas, incluindo recursos em dinheiro e apoio a projetos para a reaplicação das tecnologias sociais no enfrentamento a inumeráveis desafios nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, geração de renda. Uma articulação que potencializa a busca de soluções em meio à profunda desigualdade social que afeta o povo brasileiro.
Tem ciência com cultura,
Tem saber popular
Tecnologia social,
Pra comunidade avançar
Quando o povo se organiza
E sua luta fortalece
Faz a vida melhorar
Em um país marcado por desigualdades históricas, iniciativas construídas a partir dos territórios revelam a resistência das comunidades – que mesmo em situação de vulnerabilidade social são potentes. É nesse cenário que o Festival de Soluções Sociais Para o Brasil surge como espaço de encontro entre ciência, cultura, organização popular e transformação social. Experiências que rompem os muros da invisibilidade e convocam para “avançar de mão dada com quem vai no mesmo rumo”, como diz o poeta amazonense Thiago de Mello.


O primeiro bate-papo levou para o palco do CCBB o debate sobre Território e Justiça Social. Na roda de conversa, a produtora de conteúdos Nath Finanças; o fundador do movimento de educação popular UNEAfro Brasil, Douglas Belchior; e o representante do Bando do Brasil, José Alves.

Cultura e Educação foi a segunda temática a subir ao palco, juntamente com a ministra Margareth Menezes e os escritores Daniel Munduruku, Itamar Vieira e Socorro Acioli.

Desafio do Mundo do Trabalho abriu o segundo dia da programação, com a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; do secretário nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, Fernando Zamban; da professora e pesquisadora Ludmila Costhek; mais o jornalista e professor Leonardo Sakamoto.

Na sequência, Soberania Alimentar e Justiça Social levou para o palco a dura realidade da fome no Brasil. Um papo necessário que colocou na roda o Padre Júlio Lancelotti, João Paulo Rodrigues (MST) e a multiartista Preta Ferreira.
Cinema + debate com representantes de projetos finalistas deram o tom da programação entre uma conversa e outra.
Cultura, território, direitos sociais, comunicação popular e luta coletiva fizeram do Festival de Soluções Sociais para o Brasil encontro de ideias, experiências e gente. Em meio a debates e exibições audiovisuais, também teve a Feira de sociobiodiversidade, exposição e festival de jazz.
Cada ideia solidária faz o sonho brotar e o povo caminhar
O Coletivo Foque se juntou ao Território Mídias Brasil e fez valer o convite da Fundação BB para acompanhar o Festival de Soluções Sociais para o Brasil, com a tarefa de amplificar a visibilidade de saberes e territórios tão potentes.

Da plateia para o palco, a euforia tomou conta do auditório a cada premiação anunciada pela mestra de cerimônia Patrícia Marins junto com Raull Santiago.
Entre as iniciativas premiadas na categoria Desafio Fundação Banco do Brasil 40 anos está o Centro de Aprendizagem Indígena do Rio Negro – Sistema Intercultural de Autonomia Energética, desenvolvido pela Federação das Organizações Indígenas da região em parceria com a Universidade Estadual de Campinas. Uma iniciativa que transforma a relação das comunidades indígenas com a energia elétrica ao unir infraestrutura, formação técnica e governança territorial.
Mais do que instalar sistemas solares, a iniciativa capacita agentes indígenas para operar, manter e gerir a tecnologia, integrando conhecimentos da engenharia aos saberes tradicionais. O modelo fortalece a autonomia das comunidades, reduz a dependência de combustíveis fósseis, amplia o acesso a serviços essenciais como saúde, educação e abastecimento de água, e apresenta potencial de replicação em mais de 750 comunidades da Amazônia.

O Nordeste brasileiro, também, colheu “futuro farto e voz ativa” entre as iniciativas certificadas ao expor a força de uma cultura que transforma saberes ancestrais em desenvolvimento sustentável. Expressão viva da sociobioeconomia, o projeto Fitoterápicos, desenvolvido pela Humana Brasil, mostra como o cuidado com a terra, a valorização da biodiversidade e o conhecimento das comunidades podem gerar saúde, renda e preservação ambiental. Uma experiência coletiva que reafirma o protagonismo do povo nordestino na construção de soluções sociais para o Brasil.
Exemplo de relação profunda com a terra, Fitoterápicos levou para o palco do Festival em Brasília o conhecimento tradicional das plantas medicinais transformado em estratégia de desenvolvimento comunitário. A iniciativa organiza toda a cadeia produtiva dos fitoterápicos — do mapeamento participativo dos saberes populares ao cultivo agroecológico, processamento, uso terapêutico e comercialização dos produtos.
Ao integrar conservação ambiental, valorização cultural e práticas de saúde comunitária, a tecnologia social fortalece a autonomia das comunidades, amplia o acesso a alternativas terapêuticas locais e contribui para a preservação da biodiversidade, firmando-se como uma experiência inovadora de sociobioeconomia com alto potencial de replicação em diferentes territórios do país.
Junto com Fitoterápicos – entre as cinco Novas Tecnologias Sociais certificadas e premiadas no 13º Prêmio Fundação BB, estão ações sociais que respondem a desafios estruturais do país a partir dos próprios territórios.
AFROTECA, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), promove educação antirracista e valorização da cultura negra por meio de bibliotecas comunitárias que fortalecem identidade, pertencimento e formação cidadã.
DICIONÁRIO MULTIMÍDIA DE LÍNGUAS INFÍGENAS, do Museu Paraense Emílio Goeldi, utiliza recursos digitais para preservar idiomas originários, fortalecer a educação intercultural e garantir a continuidade de patrimônios culturais ameaçados.
OFICINA LOCOMOVER, da Casa da Criança Paralítica de Campinas, alia capacitação em mecânica de bicicletas, mobilidade sustentável e inclusão produtiva para jovens e adultos.
ÓLEO NO PONTO, da Associação Saber e Socializar, transforma o descarte de óleo de cozinha em oportunidade de geração de renda e educação ambiental, fortalecendo a economia circular e a sustentabilidade urbana.


Um dos destaques do Festival de Soluções Sociais para o Brasil foi a exposição com projetos já certificados e premiados pela Fundação BB.
















Rede de Tecnologias Sociais
Todas as iniciativas já premiadas estão reunidas na plataforma Transforma!, a Rede de Tecnologias Sociais da Fundação BB. São mais de 900 projetos certificados em diversas regiões do país.

O canto do território
A baiana Luedji Luna e a brasiliense Letícia Fialho encerraram o Festival de Soluções Sociais para o Brasil, da Fundação Banco do Brasil, no CCBB Brasília. As cantoras agitaram a noite de sexta-feira (29/05) junto a um grande público que fez valer a arte e o canto dos territórios.
O Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, criado em 2001, já destinou mais de R$ 22 milhões em premiações e impulsionou cerca de R$ 1 bilhão em investimentos para reaplicação de tecnologias sociais em diferentes territórios do Brasil que transformam realidades para melhor.
Uma realização da Fundação Banco do Brasil — com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e BB Asset.


