O texto de Paulo em 1 Coríntios 13, o hino do amor, e também em Romanos 13: “quem ama o próximo cumpriu a lei” não é só teologia. É antropologia. É sobrevivência.
Paulo percebeu o que Hobbes só iria formalizar 1600 anos depois: sem um freio, sem um pacto, o homem vira lobo do homem. A guerra de todos contra todos não é uma metáfora distante, é o que vemos todos os dias quando o amor falta: na escola, na família, na política, no trânsito.
O amor ao próximo, nesse sentido, não é sentimento bonitinho. É imperativo categórico, como bem reflete Kant. Não é “se eu sentir vontade, eu amo”. É “eu devo amar, porque sem isso não há coletividade possível”.
E o axioma do Mestre é ainda mais radical: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Não é amar como a gente consegue, é amar como Ele amou: até o fim, sem escolher quem merece, sem esperar retorno.
Independente de credo, quem entende isso entende o que é ser humano. Porque nenhuma espécie sobrevive se os seus membros se destruírem mutuamente. O amor é o nosso instinto de sobrevivência mais evoluído.
Que a gente siga nisso. Amar no pequeno: no bom dia na escola, no escutar o aluno, no perdoar o irmão, no não responder o ódio com ódio.
Que essa reflexão de Paulo continue nos atravessando, não só como postagem, mas como prática.
Fraterno abraço, do professor João Maria Fraga.





