
Abertura da Copa do Mundo no México foi marcada por protestos.
Enquanto a bola rolava no gramado do Estádio Azteca, na Cidade do México, na rua a polícia comandava o jogo da repressão. Forças de segurança do Estado abusaram do cacetete e gás lacrimogênio contra mães em busca de seus filhos, que cobram do governo para localizar cerca de 135 mil desaparecidos no país. Dados do Sistema Nacional de Segurança Pública apontam que este número seria suficiente para lotar uma vez e meia o Estádio Azteca, que tem capacidade para 83 mil pessoas.
Ao mesmo tempo, professores que reivindicam melhorias salariais e mudanças no sistema de aposentadoria levam pau da polícia. Além de outros movimentos sociais que não se cansam de protestar contra os altos gastos com a Copa do Mundo, enquanto problemas sociais são escanteados.
Entre prisões e feridos – em meio aos protestos – a partida de abertura entre México e África do Sul aconteceu normalmente sob a guarda de um forte esquema de segurança.
Enquanto o clima festivo da Copa do Mundo contracena com a realidade nua e crua das desigualdades que rondam países mundo afora, antes do pontapé inicial – entre México e África do Sul – a cerimônia de abertura do principal torneio do futebol mundial levou para o palco artistas como Shakira, J Balvin e Los Ángeles Azules.
Indiferente aos protestos e ao espetáculo de xenofobia promovido pelo governo Trump — que impôs restrições de imigração a atletas e delegações, como o Comitê Nacional de Torcedores da Costa do Marfim (CNSE), que não conseguiram vistos americanos para acompanhar sua seleção — torcidas agitam bandeiras e comemoram gols enquanto manifestantes apanham na rua e a população se atola em graves problemas sociais.
É lamentável que uma festa tão bonita como a Copa do Mundo seja manchada pelo abuso de poder de governantes autoritários e o cinismo das corporações esportivas, a exemplo da FIFA, que confirmou o corte do árbitro somali Omar Artan após ele ter o visto negado ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami. Assim como a delegação do Irã, que também enfrenta problemas de visto para integrantes de sua comissão técnica.
Mais uma Copa cercada de políticas autoritárias que ferem direitos humanos e submetem a competição mais importante do futebol internacional a um ambiente de exclusão e discriminação em razão da nacionalidade.
Os 48 países que jogam nesta Copa do Mundo em 2026 têm culpa no cartório ao se submeterem à regras excludentes de um evento que deveria fomentar a confraternização entre nações e povos. Pelo visto – ou não visto – a competição não se dá só nas quatro linhas do campo, mas também na luta contra a xenofobia, o racismo e toda forma de opressão.
Nesta Copa, vamos escalar um time de respeito: craque com a bola nos pés e firme na defesa dos direitos humanos.





