
Aos movimentos sociais, às instituições acadêmicas, ao Estado e à sociedade civil,
Venho, por meio desta carta, reafirmar o compromisso ético e político que norteia minha trajetória profissional e militante. Como Antropólogo, com graduação pela UFRN (1987) e mestrado pela UFSC (1998), e Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela UFPI (2026) — cuja tese sobre Racismo Ambiental, desenvolvida junto a comunidades de pescadores artesanais no Delta do Parnaíba, reflete meu posicionamento científico —, dediquei minha vida à defesa dos direitos dos povos tradicionais.
Minha atuação como professor em cursos de graduação e pós-graduação, somada à autoria de diversos artigos científicos em revistas nacionais e internacionais, e organização de uma série de 8 livros com o tema NEGRITUDE POTIGUAR (que como parte de minha visão pedagógica de fazer política, TODOS podem ser baixados de forma gratuita no site da editoraoiticica.com.br) não é apenas um acúmulo acadêmico; é o alicerce técnico que utilizo para servir às lutas que abraço. Ao longo da minha carreira, transitei pela análise técnica em grandes projetos de desenvolvimento, como a Transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina, sempre mantendo uma postura vigilante sobre os impactos socioambientais dessas obras. De forma a aliar o conhecimento acadêmico, ressalto, ainda, a coordenação na elaboração de RELATÓRIOS ANTROPOLÓGICOS DE IDENTIFICAÇÃO E DELIMITAÇÃO DE TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS no Estado de Pernambuco. Não vou tratar aqui de minha relação com sociedades indígenas.
Minha relação com as comunidades quilombolas no Rio Grande do Norte iniciou-se em 1987. Desde então, a antropologia para mim não é um exercício burocrático, mas uma ferramenta de libertação. No Rio Grande do Norte, das 41 comunidades quilombolas certificadas, fui o responsável técnico pelos estudos e pela assessoria que garantiu a certificação de 11 delas. Mais recentemente, coordenei a realização de diagnósticos integrados (sociais, econômicos, ambientais e culturais) em 9 comunidades, utilizando esse arcabouço para a elaboração dos Protocolos de Consulta Prévia, Livre e Informada em 6 dessas comunidades.
Sobre a natureza da minha colaboração:
É fundamental esclarecer, diante de qualquer ilação mal-intencionada, que toda a minha assessoria técnica na elaboração destes Protocolos de Consulta foi realizada de forma estritamente VOLUNTÁRIA e GRATUITA.
Como militante histórico do Movimento Negro e dos movimentos de povos de matriz africana, entendo que a elaboração de um protocolo é um ato de soberania quilombola. Minha atuação é a forma de devolver à comunidade o conhecimento técnico que possuo, sem mercantilizar a luta pelo território e pela dignidade.
Portanto, afirmo categoricamente: qualquer tentativa de associar meu trabalho profissional, na elaboração de PROTOCOLOS DE CONSULTA PRÉVIA, LIVRE E INFORMADA junto às comunidades quilombolas a interesses financeiros ou a qualquer contraprestação monetária por parte dessas comunidades é uma MENTIRA, UMA CALÚNIA E UMA TENTATIVA VIL de deslegitimar uma trajetória de quase quatro décadas de militância e compromisso ético.
Minha honra e minha carreira foram construídas com base na transparência e no respeito aos povos quilombolas, indígenas e Povos de Matriz africana e ameríndia. Este trabalho gratuito é a minha resposta política a um Estado e a um sistema que historicamente tentam silenciar as vozes negras. Seguirei na ciência e na militância, de cabeça erguida, ao lado daqueles com quem construí laços de confiança inabalável ao longo destes anos.
Atenciosamente,
Geraldo Barboza de Oliveira Junior
Antropólogo e Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Militante do Movimento Negro e Povos de Matriz Africana
Natal, RN, 29 de junho de 2026






