
Dediquei 23 anos da minha vida ao serviço público, atendendo
à população com orgulho, zelo e integridade.
No último ano, no entanto, essa trajetória de dedicação foi interrompida não por falta de vontade, mas pelo adoecimento físico e mental decorrente de um ambiente de trabalho hostil, marcado por assédio moral, perseguição e manifesto abuso de poder. Hoje, a minha rotina não é mais moldada pelas metas do setor, mas por consultas médicas e doses diárias de medicamentos que tentam conter a ansiedade, a depressão e o esgotamento provocados por gestores que confundiram autoridade com autoritarismo.
É doloroso ver a própria saúde destruída por uma cultura de isolamento e humilhação silenciada, onde questionar ou simplesmente exercer o trabalho de forma técnica se torna motivo para punições veladas e perseguições cotidianas.
Escrevo esta carta não apenas como um desabafo, mas como um alerta: o adoecimento no serviço público devido ao assédio é uma realidade invisível que destrói vidas e compromete a própria qualidade do serviço entregue ao cidadão. O silêncio protege o opressor, mas destrói o servidor. Exijo respeito à minha história, à minha saúde e à dignidade que todo trabalhador merece ter.
Jessiane vieira da costa
Servidora Pública Municipal de São Gonçalo do Amarante RN.






