Nesta quarta-feira, 28 de abril, o calendário marca o Dia Mundial da Saúde e Segurança no Trabalho.

Pai cuidando do filho enquanto trabalha, em Madagáscar. Banco Mundial/Henitsoa Rafalia
“Pandemia de Covid-19 teve impactos profundos incluindo os locais de trabalho; mudanças como o trabalho remoto apresentam muitas oportunidades, mas também riscos”, afirma a ONU News. Ainda de acordo com a Organização das Nações Unidas, “A crise atingiu quase todos os aspectos do mundo laboral, desde o risco de transmissão do vírus até ameaças à segurança e à saúde ocupacional que surgiram como resultado de medidas para mitigar a propagação da doença”.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT), que em 2003 começou a celebrar o Dia Mundial sobre a prevenção de acidentes e doenças, aproveita para conscientizar e estimular o debate sobre tal temática no local de trabalho.
O dia 28 de abril é também o Dia Internacional da Comemoração dos Trabalhadores Mortos e Feridos, organizado mundialmente pelo movimento sindical desde 1996.
segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, foram notificados 5.589.837 acidentes entre 2012 e 2020 (CATWEB). No mesmo período, 20.467 desses acidentes resultaram em morte. Calcula-se que uma morte ocorra a cada 3h 51m 28s. Somando-se o total de 2012 a 2020. Os dados de 2021 serão atualizados em 2022.
Esses números se referem a trabalhadores que trabalham ou trabalharam com carteira assinada e no âmbito do Regime Geral da Previência Social. Não foram incluídos, por ora, exceto quanto ao SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação), os servidores estatutários ou trabalhadores informais.

Lesões mais frequentes

  1. Corte, Laceração, Ferida Contusa, Punctura – 909.044
  2. Fratura – 758.796
  3. Contusão, Esmagamento (Superficie Cutanea) – 659.091
  4. Distensão, torcão – 393.991
  5. Lesão Imediata, Nic – 380.822

Setores econômicos com mais comunicações de acidente

  1. Atividades de atendimento hospitalar – 488.837
  2. Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios – hipermercados e supermercados – 180.811
  3. Administração pública em geral – 142.914
  4. Transporte rodoviário de carga – 122.411
  5. Construção de edifícios – 119.608
Uma pesquisa publicada na revista científica britânica The Lancet, no ano de 2018, estima que 13,5 milhões de vidas seriam afetadas beneficamente ou poupadas, caso houvesse maiores investimentos na área das políticas públicas e de saúde mental.
Nesta quarta, a CSP-Conlutas participa de um debate virtual sobre o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, das 18h às 21h, com transmissão através do Facebook da Central Sindical e Popular. A atividade contará com a presença de Marcus Orione, professor da Faculdade de Direito da USP; Cesar Brito, ex-presidente da OAB Nacional e atualmente advogado no STF (Supremo Tribunal Federal) e TST (Tribunal Superior do Trabalho), em Brasília; Zila Camarão, enfermeira do Hospital Universitário João Barros Barreto/UFPA e da entidade COMBATE; Reginaldo Souza, diretor do Sindicato dos Químicos-SJC e da entidade Tendência Sindical Unidos Para Lutar.
“Será um dia de luto e luta contra o verdadeiro genocídio capitaneado por Bolsonaro. Nesta pandemia, categorias de diversos segmentos, sobretudo as consideradas essenciais, estão se expondo ao risco de morte e doença, devido às imposições do governo que segue com seu negacionismo e discurso do lucro acima da vida”, afirma em nota a Conlutas.