Charge: Rodrigo Brum

Como entender a dança dos decretos no caso da pandemia que continua condenando milhares de pessoas aos corredores da morte?

São sentenças legalizadas pelo Estado que colocam em risco a vida de um povo que, historicamente, enfrenta calamidades produzidas pela desigualdade social. Feridas que perduram desde os tempos da colonização. Bonito é fazer discurso político quando não se tem barriga vazia nem é obrigado a pegar o busão superlotado.
Pois é… pimenta nos zói dos outros é refresco. Chega de confundir o povo com zé-ninguém, pé-rapadopé-de-chinelo, zero à esquerda.
Enquanto a briga do fecha-não-fecha continua (em meio à liberação de aulas presenciais, ampliação no funcionamento do comércio e toque de recolher encolhido), os hospitais estão lotados e as UTIs sobrecarregas de pacientes brigando contra a tal Covid-19. Pelo jeito que os atuais governantes brasileiros encaram “a maior crise sanitária e hospitalar da história”, os índices de 91% pra cima dos chamados leitos críticos que se danem. Doa a quem doer.

Afinal, quem lucra com essas políticas que ignora todas as vidas perdidas para o coronavírus?

O colapso da saúde pública no Brasil é marcado pela política da morte de um governo genocida. E comandado por um presidente da república que faz questão de confessar seu negacionismo na ciência, que receita medicamentos para tratamento contra a covid sem nenhuma comprovação científica, movido tão somente pela ignorância. Uma política que está custando a vida de muita gente.
“Hidroxicloroquina, propagandeada por Bolsonaro, teve mais de 1,3 milhão de caixas vendidas no país”, alerta a reportagem da Agência Pública. Esse mesmo levantamento exclusivo revela, ainda, que farmácias brasileiras venderam mais de 52 milhões de comprimidos de quatro medicamentos do chamado “kit covid” em um ano de pandemia: sulfato de hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e nitazoxanida. “Foram vendidos mais de 6,6 milhões de frascos e caixas desses quatro remédios de março de 2020 a março de 2021”.
Enquanto isso, falta vacina, falta oxigênio, falta auxílio emergencial decente para socorrer todas as pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Mito ou crime?