Charge: Rodrigo Brum

O retrocesso no país de Bolsonaro fez o tempo voltar às mais terríveis lembranças de um passado traumático e desumano

Desde a perseguição dos colonizadores portugueses aos povos originários, passando pelos traficantes de escravos e a recente ditadura militar o Brasil vive um dos piores momentos da sua história. Um cenário de guerra que lembra os campos de concentração nazistas.
O crime contra a humanidade desta vez é o genocídio contra o povo brasileiro praticado por um governante que se acha acima de tudo e de todos. “Evitar lockdown é a ordem”, diz o ministro da saúde Marcelo Queiroga. Para o representante do governo é preciso garantir que a economia funcione, “deixando essas situações extremas para o último caso”.
Ao adotarem medidas menos restritivas prefeitos e governadores parecem seguir o recado passado pelo ministro de Bolsonaro. Enquanto os “responsáveis” pelas políticas públicas deixam as “situações extremas para o último caso” a Covid-19 segue matando nas filas de UTIs e lotando cemitérios, onde já foram registrados mais de 330 mil óbitos.
Diferente do que pensa o governo e seus seguidores, o neurocientista Miguel Nicodelis informou em seu twitter nesta segunda-feira (05/4) que acaba de subscrever ao manifesto AbrilpelaVida, que defende “um lockdown nacional de 3 semanas com auxílio emergencial digno para quebrar a transmissão da Covid-19 rapidamente e evitar o pior abril da história do Brasil”.
O movimento #AbrilpelaVida convida os governos federal, estaduais e municipais a adotarem a medida, que deve vir acompanhada de auxílio emergencial, para garantir que o máximo de pessoas possa ficar em casa em segurança. Dados mostram que um lockdown de 3 semanas é o tempo necessário para que a vacinação contra Covid-19 comece a fazer efeito significativo e reduzir mortes no Brasil.
O médico Drauzio Varella diz que “O discurso antivacina é como induzir ao suicídio coletivo”. Ele aponta que o Programa Nacional de Imunização no Brasil tem 38 mil postos qualificados e profissionais treinados para vacinar. Lembra que nos anos setenta o Brasil vacinou 18 milhões de crianças contra a poliomielite em um dia. Agora, na pandemia da Covid-19, são vacinadas entre 70 e 80 mil pessoas por dia. O problema é que não tem vacina em quantidade suficiente, como consequência do descontrole total da maior crise sanitária do país.
No Rio Grande do Norte, tá valendo a partir desta segunda, dia 5, o novo decreto do Governo do Estado com validade até 16 de abril, que permite o funcionamento de atividades não essenciais, como igrejas, academias e escolas. O toque de recolher também volta a funcionar durante toda a semana, das 20h à 6h e período integral nos domingos e feriados.
De acordo com os dados monitorados pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) no projeto UTIs brasileiras, a mortalidade de pacientes com Covid internados em UTIs públicas foi de 53% e nas UTIs privadas 30%. Mais um descompasso que revela o triste mapa da desiguladade aprofundada pela pandemia.
Não existe explicações para essa política de moer gente adotada pelos governantes brasileiros. Resta seguir usando a máscara de proteção e mantendo o devido distanciamento social. E, se puder, não saia de casa.