Charge: Rodrigo Brum

Entre a crise sanitária em alta e a crise econômica está a vida,
ora transformada em produto de negociação pelos governantes
e o mercado financeiro.

Morre gente todo santo dia em hospital, em porta de UPA, vítimas de um sistema de saúde sufocado pela pandemia da Covid-19. Sobreviver não tem sido tarefa fácil neste cenário trágico. Ainda mais quando os podres poderes se acham acima de tudo e de todos.
Na falta de uma política séria no enfrentamento à pandemia é o povo que leva a pior. Parece uma luta sem fim com um recorde atrás do outro do número de mortes diárias. Sucessivos recordes assim só com o processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, que o Congresso Nacional faz de tudo para não decolar.
A última edição extraordinária do Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz alerta para o quadro “extremamente crítico” da pandemia em todo o país. “Apenas dois estados e suas respectivas capitais aparecem na zona de alerta intermediário de leitos de UTI Covid-19 para adultos – Amazonas, com 76%, e Roraima com 62%, segundo dados obtidos em 29 de março. Todos os demais estados e o Distrito Federal permanecem na zona de alerta crítico, com taxas de ocupação superiores a 80%”, diz o relatório.
Dezessete estados e o Distrito Federal encontram-se com taxas de ocupação de leitos de Covid-19 para adultos superiores a 90%:
Norte: Rondônia (98%), Acre (97%), Amapá (100%) e Tocantins (97%)
Nordeste: Piauí (96%), Ceará (94%), Rio Grande do Norte (95%) e Pernambuco (97%).
Sudeste: Minas Gerais (94%), Espírito Santo (94%) e São Paulo (92%).
Sul: Paraná (93%), Santa Catarina (99%) e Rio Grande do Sul (95%).
Centro Oeste: Mato Grosso do Sul (100%), Mato Grosso (97%), Goiás (94%) e Distrito Federal (97%).
Outros estados apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos entre 84% e 89%: Pará (85%), Maranhão (88%), Paraíba (84%), Alagoas (86%), Sergipe (86%) Bahia (86%) e Rio de Janeiro (88%).
Para reverter essa situação os pesquisadores reafirmam a necessidade de combinar medidas de contenção (lockdown) por cerca de 14 dias. “Tempo mínimo necessário para redução significativa das taxas de transmissão e número de casos (em torno de 40%) e redução das pressões sobre o sistema de saúde”, além da oferta de leitos e a ampliação da Atenção Primária em Saúde (APS), com abordagem territorial e comunitária.
Além do negacionismo do presidente Bolsonaro, que tem feito de tudo para camuflar esta realidade alarmante, as medidas restritivas adotadas pelos governadores não têm sido suficientes para reduzir as taxas de transmissão e tirar o sistema de saúde do sufoco. Só no mês de março foram 66.868 mortos por Covid, mais do que o dobro do segundo mês com mais óbitos na pandemia (julho de 2020 com 32.912 mortes).
No Rio Grande do Norte o decreto 30.419/2021, que só permite funcionar serviços essenciais, foi prorrogado até o próximo dia 4 de abril. O novo decreto a ser publicado incluirá o funcionamento de escolas, igrejas, academias e o comércio. Os detalhes foram decididos nesta quarta-feira (30) entre Governo do Estado, Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho, Federação dos Municípios e associações municipais.
» Confira o que vai funcionar com o novo decreto:
  • O toque de recolher volta a ser posto em prática de segunda a sábado das 20h às 06h do dia seguinte, e em tempo integral nos domingos e feriados.
  • Fica proibida a venda de bebidas alcoólicas para consumo em ambientes público e coletivo, inclusive restaurantes, lojas de conveniência, praça de alimentação e similares.
  • Comércio poderá funcionar, limitada a frequência de pessoas a 50% da capacidade do espaço do estabelecimento ou ao limite máximo de uma pessoa por cada cinco metros quadrados, o que for menor.
  • O horário de funcionamento do comércio será alternado, conforme proposta das federações empresariais.
  • Ficam liberadas as aulas presenciais nas escolas até a 5ª série do ensino fundamental, conforme escolha dos gestores e pais ou responsáveis. As demais séries somente poderão ter aulas pelo sistema remoto.
  • O decreto também deve flexibilizar o funcionamento de igrejas e academias. Ambas só podem funcionar das 6h às 20h.
  • As celebrações religiosas podem ser realizadas em ambientes coletivos, desde que a ocupação não seja superior a 20% da capacidade, respeitando sempre o limite de uma pessoa por cinco metros quadrados.
  • As academias voltadas para atividades físicas devem observar o limite de 50% da capacidade de suas instalações, ficando sujeitas também à regra da ocupação de espaço dos cinco metros quadrados, e não poderão funcionar nos domingos e feriados enquanto o toque de recolher estiver em vigor.
De acordo com o Regula RN, somente neste mês de março cerca de 172 pessoas morreram enquanto aguardava na fila por um leito de UTI no Rio Grande do Norte. No Brasil, mais um recorde: 3.950 mortes pela covid-19 em 24 horas.
Tudo isso acontecendo e a vacinação a passo de tartaruga. Até o momento, 17.620.872 pessoas foram vacinadas com a 1ª dose, equivalente a 11,0% da população adulta e 5.091.611 pessoas já foram vacinadas com a segunda dose (3,16% da população adulta).
Quem viver, verá. Ou chorará.