Catástrofe à vista. É preciso ser valente para enfrentar o capitão que a todo momento joga o país contra o precipício.

Ilustração: Rogério Marques
“Os governantes precisam prestar atenção e esquecer que lockdown não é palavrão, diz o cientista Miguel Nicolelis. Ele afirmar que é preciso assumir o que é patente entre a comunidade científica de que em condições com taxas de ocupação acima de 80% e curvas crescentes de casos e óbitos, precisa fechar. “Não tem saída fora do lockdown, porque já explodimos”. E reforça que os cientistas precisam ser ouvidos.
O último Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19, divulgado na sexta-feira (26/3), defende também o lockdown, acompanhado da ampliação na oferta de leitos e a prevenção do desabastecimento de medicamentos e insumos. O objetivo é combinar, em difrentes momentos, medidas para reduzir a velocidade da propagação da Covid-19 no país até que  se tenha 70% da população vacinada. “O ritmo lento em que se encontra a vacinação contribuí para prolongar a duração da pandemia e da adoção intermitente de medidas de contenção e mitigação”, esclarece os pesquisadores responsáveis pelo Observatório.
Rejuvenescimento da pandemia
O estudo mostra que houve um aumento grande de casos de Covid-19 no Brasil, nos primeiros meses de 2021, nas faixas etárias de 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e 50 a 59 anos, respectivamente, de 565,08%, 626% e 525,93%. Em relação aos óbitos, nesse mesmo período, houve um aumento de 352,62% para a faixa de 30 a 39 anos; 419,23% para a faixa de 40 a 49 anos e de 317,08% para a faixa de 50 a 59 anos. Como consequência, os casos nas idades mais avançadas tem reduzido.
Para o cientista Nicodelis, esta catástrofe sanitária, econômica e humanitária não é nenhuma fatalidade, mas consequência da irresponsabilidade de governos no enfrentamento à Covid-19. Junte-se à toda essa tragédia anunciada o efeito colateral da miséria desencadeada pela crescente desigualdade social ainda mais alarmante durante a pandemia.