O coronavírus foi o folião que mais contagiou o carnaval da pandemia.

Contrariado pelos decretos contra as aglomerações a Covid-19 buscou a parceria dos ignorantes. Enquanto toda a população não é imunizada a vida segue a esperança equilibrista por um plano de imunização com vacina para  todas e todos. Enquanto isso, a ala dos fura-fila e os blocos das aglomerações rompem as barreiras do respeito em meio à onda de contaminações.
Os foliões apaixonados pela vida transformaram o tesão do carnaval em aliado da ciência que nos últimos meses tem se dedicado com unhas e dentes a salvar a humanidade do novo coronavírus, apesar de ser negada pelos Bolsonaristas de plantão. A nova palavra de ordem é vacina já, esgotando as teses de ódio bombardeadas pela boca suja do governo federal e seus seguidores. Como dizia Chico Science, “um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”.
As cruzes que rondam a pandemia da Covid-19 também simbolizam o genocídio chefiado pelo governo brasileiro. O vírus letal responsável por tamanha matança conta com a mão daquele que ao invés de correr atrás para solucionar os problemas, ao contrário, só contribui para aumentar a desgraça que dirige na contramão da ciência e da vida.
O novo coronavírus e suas variantes rompem a imunidade do planeta, infectando e matando milhões de pessoas. Brasil passa de 240 mil mortes. Na cena atual, negar o bem que a ciência faz e indicar uso de remédio sem nenhuma comprovação científica no tratamento contra a Covid-19, é uma piada. Já passamos pela sociedade primitiva, atravessamos a revolução industrial. Agora, nessa altura do campeonato não dá pra ser ridículo a ponto de distribuir medicamentos descartados pela ciência como solução para combater tão perigoso vírus. Infelizmente, esse tem sido o comportamento do presidente Jair Bolsonaro e de prefeitos como Álvaro Dias, em Natal.
Não é hora de produzir marketing. O momento é de apostar na imunização da população através da vacina. Estão aí os números que falam pelas vidas perdidas. Não dá pra descrever nessa matéria o efeito real de tamanha desgraça. Daí, é preciso vencer a ignorância e olhar além da má-fé religiosa, política e econômica. Afinal, não é possível devolver vidas que foram tiradas pela falta de assistência e consciência real.
Nesta quarta-feira de cinzas não tem Baiacu na Vara, tradicional bloco que anima foliões pelas ruas da zona norte de Natal, capital do Rio Grande do Norte, que volta a registrar alta na taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid-19. Mais uma triste demonstração de que o pesadelo da atual pandemia não é ilusão. Não é gripezinha que se trata com ivermectina nem cloroquina.
Vale lembrar que além do coronavírus é preciso curar a ignorância.