Fotografia/Divulgação

João Igo Santos e seu vizinho Felipe Patrício Lino Ferreira foram presos logo no comecinho do novo ano acusados de um roubo na região de Pinheiros, zona oeste da capital paulista. A prisão foi determinada com base em relato de uma “testemunha”.

Mais um entre tantos atos da Corte Judicial contra ativistas do movimento popular. Uma criminalização social que avança “preferencialmente” sobre a juventude pobre e negra.
Um dos acusados, conhecido como Igo Ngo, é rapper, percussionista, produtor musical, cineasta, um jovem negro que dedica sua vida e sua arte à luta contra o racismo, por moradia e pelos direitos dos povos indígenas. Seu amigo Felipe é professor de artes marciais, ativista social e cultural.
A advogada Irene Guimarães, que atua na defesa de Igo e Felipe, colheu imagens de sistemas de segurança que mostram os amigos longe do local do crime no horário informado pelas vítimas. Um pedido de habeas corpus já foi encaminhado à Justiça. Tanto Igo quanto Felipe possuem todos os requisitos para responderem em liberdade, como atividade profissional lícita e endereço fixo.
Entidades do movimento sindical e popular, como a CSP-Conlutas, assinam uma campanha pela liberdade imediata de Igo Ngo e Felipe. O movimento denuncia o racismo e a violação aos direitos humanos praticados contra os dois jovens militantes negros. Esse é o retrato de um país chamado Brasil, onde a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado. “Deste modo, queremos dizer em alto e bom tom que o histórico de Igo e de Felipe é de ofertar conhecimento, esperanças, autoestima, cultura ao seu povo e não de furtar bens materiais”, diz o manifesto assinado pelas entidades.
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