No dia 8 de janeiro é celebrado o Dia Nacional do Fotógrafo.

Entre 1826 e 1827, Niépce já havia conseguido criar o que é considerada a primeira fotografia do mundo – “Vista da janela em Le Gras”. Para isso usou a heliografia desenvolvida por ele e que exigia oito horas de exposição solar.
Em Pequena História da Fotografia (1931) Walter Benjamin afirmou que “O analfabeto do futuro não será quem não sabe escrever, mas, sim, quem não sabe fotografar”.

 

Fotografia: Rogério Marques
O fotógrafo Alexandre Santos (Coletivo daFoto) explica que a fotografia é um tipo de comunicação que é escrita através da luz. “Principalmente na sociedade contemporânea, com a democratização do acesso aos equipamentos, muita gente tem buscado se expressar através de imagens, que têm uma importância muito grande como função social. A gente sabe que isso transforma pessoas, que passam a ver o mundo de uma outra forma”. Alexandre afirma que fazer uma fotografia não é só apertar o dispositivo da câmera, esse é um gesto mecânico que até uma criança de um ano consegue fazer. “Você tem que pensar como vai organizar os elementos dentro do quadro, por que fotografá-los, o que está querendo dizer do ponto de vista discursivo para que a outra pessoa possa compreender”.

 

Fotografia: Rogério Marques
O fotógrafo [Manoel de Barros - Ensaios fotográficos, 2000]
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada minha aldeia estava morta
não se ouvia um barulho, ninguém passava entre
as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era o carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a Nuvem de calça.
Representou para mim que ela andava na aldeia
de braços com Maiakovski — seu criador.
Fotografei a Nuvem de calça e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.