Vacinação da Covid-19 já começou em mais de 51 países. No Brasil, o discurso ultrapassa as ações do governo com a inexistência do Plano Nacional de Imunização.

A vacina contra a varíola foi a primeira a ser usada no Brasil, em 1804. Já o Programa Nacional de Imunização (PNI), criado em 1973, foi fundamental para o controle de doenças como poliomielite, difteria, sarampo e rubéola, com mais de 300 milhões de doses de 42 vacinas diferentes distribuídas anualmente. Agora, o PNI que é referência internacional de política pública de saúde está sendo ignorado pelo governo federal.
Em meio ao descaso do Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (07/01) o Instituto Butantan pediu oficialmente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorização para uso emergencial da vacina Coronavac no Brasil. O primeiro pedido para autorizar uma vacina contra a Covid-19 no país deverá ser analizado no prazo de dez dias.
Segundo dados divulgados pelo Butantan a vacina Coronavac produzida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac tem taxa de eficácia mínima de 78%. O estudo foi aplicado em mais de 13 mil voluntários e apontou proteção de 100% a sintomas severos da Covid-19. A Fiocruz, que acompanha estudos da vacina de Oxford, também deverá entrar com pedido de uso emergencial da vacina nesses próximos dias.
A Anvisa, órgão responsável pela análise técnica e científica das vacinas tem sido usado pelo presidente Jair Bolsonaro para dificultar o início da vacinação no país. Mais um episódio da história do Brasil que leva sofrimento ao povo, especialmente à classe trabalhadora que é obrigada a pegar o transporte público superlotado e vive a agonia da falta de atendimento no sistema de saúde.
A assistente social Rosália Fernandes, da CSP-Conlutas, lembra que “são mais 200 mil vidas perdidas e famílias destruídas, mas enquanto isso o genocida Bolsonaro reforça seu negacionismo criminoso sem apresentar de fato o início da vacinação no Brasil e incentivando aglomeração e o não uso de máscaras”. Enquanto isso, mais de 51 países já iniciaram a vacinação. Diante da pandemia, a incerteza de um Plano Nacional de Imunização é uma real ameaça para a população brasileira. Junto a esse panorama dramático a Ciência brasileira e o SUS (Sistema Único de Saúde) vivem à míngua.
Charge: Rodrigo Brum

O desafio é desatar o nó cego que o capitão deu na vacina.