Charge: Carlos Latuff

O luto pelo assassinato de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, espancado até a morte por seguranças numa loja do Carrefour em Porto Alegre (RS) no dia 19 de novembro, transformou-se numa onda de protestos contra o racismo.

Em Natal, manifestações antiracistas protestaram contra o assassinato de João Alberto, mais uma vítima da violência que mata uma pessoa negra a cada 12 minutos, segundo o Atlas da Violência. Faixas, bandeiras e palavras de ordem deram o tom do ato ocorrido neste sábado no Carrefour da zona sul, que contou com a participação de ativistas do movimento negro e popular. Com as portas fechadas o estacionamento do supermercado serviu de guarita para tropas da Polícia Militar.
De acordo com o estudo elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2018 os negros representaram 75,7% das vítimas de homicídio, o equivalente a 43.890 assassinados. Os dados apontam que as maiores taxas de homicídios contra pessoas negras estão nas regiões Norte e Nordeste. Roraima foi o estado com o maior índice de assassinatos de negros em 2018 (87,5), seguido do Rio Grande do Norte (71,6) que ocupava a primeira posição no Atlas da Violência 2019.
Em Nota Pública, a Anistia Internacional cobrou investigações sobre o crime. “Na véspera do dia que representa a luta pelos direitos do povo negro no Brasil, mais um corpo negro tombou, assassinado por um segurança e um policial militar em uma rede internacional de supermercados”, diz ao lamentar mais uma vítima do racismo estrutural no país.
Em meio aos protestos antiracistas pelo país afora, o vice-presidente da República Hamilton Mourão diz que no Brasil não existe racismo. Na real, o governo Bolsonaro só reforça o sentimento de discriminação escancarado pela violência contra a população negra no país.