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Diante da ordem de despejo determinada pela Justiça Federal nesta sexta-feira (20/11), a Ocupação Emmanuel Bezerra convida apoiadores para se juntar ao ato que ocorrerá às 9h deste sábado com a tarefa de fortalecer a luta de resistência.

O movimento denuncia a atitude autoritária da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), que encaminhou o pedido de despejo sem nenhum tipo de diálogo com as famílias. A ordem judicial é desocupar em 24h o prédio que foi transformado em moradia coletiva. Para se fazer cumprir, a lei será vigiada de perto pela Polícia Militar.
Lembrando que desde o dia 30 de outubro passado dezenas de famílias ocupam o antigo prédio da Faculdade de Direito, localizado no bairro da Ribeira em Natal, que pertence à UFRN e desde 2001 estava abandonado pela universidade e não cumpria nenhuma função social, segundo o MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas). “Em meio à pandemia, no lugar de construir o diálogo com os movimentos sociais, a UFRN decide despejar 60 famílias que não tem para onde ir. Continuamos na luta e anunciamos que vamos resistir! Nossa luta não será barrada por nenhuma ordem de despejo!”, afirma a nota publicada no facebook da Ocupação Emmanuel Bezerra.

“Seguimos fortes na luta e resistiremos! Enquanto morar for um privilégio ocupar é um direito!”

De acordo com mapeamento feito por mais de 40 entidades que integram a campanha Despejo Zero, pela vida no campo e na cidade, como o Observatório das Remoções e as defensorias públicas, ao menos 6.532 famílias foram despejadas de suas moradias entre março e outubro de 2020 em todo o Brasil. Ainda de acordo com as organizações, outras 54 mil famílias em situação de vulnerabilidade estão ameaçadas de serem expulsas de seus territórios. No Rio Grande do Norte os despejos já atingiram mais de 27 famílias. As principais justificativas são as reintegrações de posse e os impactos devidos a obras públicas. No Brasil, estima-se um déficit habitacional de mais de 7, 8 milhões de moradias, em um cenário em que mais de 13% da população está desempregada (IBGE 07/2020).
Nesse contexto repleto de violência econômica e social, muitas vozes se levantam para compartilhar o grito estrondoso da campanha Despejo Zero. Para Raquel Rolnik, do Observatório das Remoções, essa luta não é só a luta de resistência das comunidades que hoje estão ameaçadas, é mais que isso, é uma luta de reparação histórica pelo direito à cidade e à morada nesse país. “Cada vila, em cada bairro, em cada favela, em cada ocupação, que tá nesse momento resistindo à remoção, faz parte e é fundamental nessa luta pela reparação”.
Thais Gasparini, do MLB/SP, observa que “As recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesse período da pandemia eram que a gente lavasse a mão, tomasse banho, usasse álcool gel, mas como é que a gente faz isso se a gente não tem água encanada, se metade da população do nosso país não tem acesso ao saneamento básico, como é que pedem pra ficar dentro de casa pra evitar o contato com o vírus se a gente não tem casa, se tem muita gente que vive em situação de rua. Então, a gente acha que é uma coisa criminosa, inclusive seguir despejando famílias nesse período”.