Acervo/produção

Quando a noite chegou com a lua cheia encontrou no meio da rua uma kombi transformada em cinema, como num passe de mágica.

Era 31 de outubro, o dia em que o Kurta na Kombi levou o cinema para a comunidade Jardim Progresso no bairro Nossa Senhora da Apresentação, zona norte de Natal, onde foram exibidos cinco curtas potiguares produzidos por realizadoras e realizadores audiovisuais locais.
Cidadãos Invisíveis (Paulo Dumaresq) 
Nada Foi em Vão (Sihan Felix) 
Alberi, O Craque Alvinegro (Suerda Moraes) 
Leningrado Linha 41 (Dênia Cruz) 
Respeitável Público (Natalie Alves) 
“Não há palavras suficientes para descrever nossa alegria e gratidão com tantos olhinhos brilhando e sorrindo por detrás das máscaras. Os comentários do público durante as sessões reafirmaram em nós a certeza de que o audiovisual potiguar é uma ferramenta potente que nos permite contar nossas próprias histórias e fortalecer os vínculos sociais”, diz Umara Luiz ao apontar as conversas dos moradores.
– “Já treinei com Alberi” 
– “Morei no Leningrado” 
– “Tá vendo, homem também faz café da manhã pra mulher” 
– “Estudei com a produtora de um desses curtas” 
Acervo/produção
“É um projeto independente, eu e minha companheira somos os produtores e tem outras pessoas que ajudam. A gente entra em contato com as comunidades, aí vê as parcerias, onde tem um local mais seguro e acessível às pessoas. Normalmente as sessões acontecem a cada quinze dias, mas como está na pandemia, vamos fazer um mês em cada bairro. Compreendemos que ainda atravessamos um período que inspira cuidados, por isso estamos atentos às normas de prevenção estabelecidas no protocolo geral de enfrentamento à Covid-19”, afirma Umara.
Ele explica que o Kurta na Kombi é um projeto que busca diversificar e democratizar o acesso ao cinema, difundindo a produção audiovisual potiguar e formando público pelas cidades do interior do Rio Grande do Norte e nas comunidades de Natal. Sempre com sessões gratuitas. Uma iniciativa que reúne gente de todas as idades para encher a rua e assistir filmes.
“É um cinema itinerante feito numa kombi que a gente comprou e ela é adaptada para receber um telão. A gente já tem o projetor e o coletivo Viramundo ajuda com o som. Então, é um equipamento bem simples que é fácil montar e desmontar para se locomover até as comunidades. Uma estrutura feita para suportar até cem pessoas por cada sessão. A intenção no futuro é ir para o interior, colocar tudo dentro da kombi e partir para outra cidade”.