Diante da pandemia do novo coronavírus, no mês de maio passado a Anistia Internacional mais 17 organizações da sociedade civil apresentaram uma agenda de recomendações com medidas urgentes para atender populações vulneráveis.

Ao avaliar a campanha Nossas Vidas Importam, as organizações apontaram a falta de políticas públicas para atender as necessidades reais dessas populações historicamente desprotegidas – moradoras e moradores de favelas e periferias, pessoas em privação de liberdade, incluindo jovens do sistema socioeducativo, população negra, pessoas em situação de rua, pessoas com condições de moradia inadequada, mulheres, cis e trans, quilombolas, povos indígenas, populações tradicionais, migrantes e refugiados, trabalhadores e trabalhadoras autônomas, principalmente informais, população LGBTQI, crianças, adolescentes e idosos.
Para Eliane Almeida, da Rede Antirracista Quilombação, a criação de um plano emergencial de emprego e renda e o fomento à criação de cooperativas de trabalho para as famílias negras das periferias são pautas fundamentais.
Segundo Bruna Benevides, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o crescimento de 34% de suicídios de mulheres trans negras durante o primeiro semestre de 2020 tem relação direta com o fato de 90% das pessoas transexuais ter a prostituição como fonte de renda e não tiveram direito ao auxílio emergencial.
Ao repudiar a fala do presidente Jair Bolsonaro na ONU o representante do Conselho Indigenista Missionário, Antônio Eduardo Oliveira, e o Subprocurador-Geral da República Sávio Dresch de Silveira, apontam que a falta de acesso à saúde nas aldeias tem obrigado os povos indígenas a fecharem seus territórios para se proteger da covid-19 que já matou mais de 800 indígenas, segundo dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Para as mais de 220 mil pessoas em situação de rua no Brasil, em que 70% delas são negras, os serviços emergenciais foram insuficientes. Em busca do devido atendimento, milhares foram expostas ao risco de contágio, segundo Darcy Costa, do Movimento Nacional de População em Situação de Rua.
Na avaliação da Anistia Internacional e demais organizações a pandemia agravou ainda mais a desigualdade social no Brasil, onde os direitos humanos já vinham sendo estraçalhados mesmo antes da chegada do novo coronavírus.

 


»Com informações da Anistia Internacional