Foto: Taian Marques

Está cada vez mais explícita a política do governo Bolsonaro e seus generais nos Correios. Primeiro, retiram direitos que foram conquistados aos longo dos anos com muita luta. Depois vem o tiro de misericórdia com a privatização da empresa e, consequentemente, demissões. Por isso é preciso que toda a categoria tenha entendimento de que esta luta não e só econômica. Para garantir nossos direitos e empregos, precisamos lutar contra a privatização.

por Geraldo Rodrigues – Diretor da Fentect e da CSP-Conlutas
O governo quer enxugar a empresa para que seja entregue à iniciativa privada. Para tal precisa ganhar a opinião pública contra a estatal, afirmando que este não é um serviço essencial à população.
Entretanto, os Correios, além de fazer a integração nacional estão presentes como ferramenta de apoio nas grandes tragédias. Exemplos não faltam como nas grandes enchentes, tragédias como a de Mariana (MG) em 2015, o rompimento da Barragem em Brumadinho (MG) e agora nesta pandemia tem sido fundamental para a entrega de remédios e testes por todo pais, além das compras que são feitas na internet pela população. Também são indispensáveis nas entregas de livros, remédios, provas do Enem, nas eleições gerais nas quais são responsáveis por transportar as urnas de todo país. Em muitas cidades funciona como a única alternativa para fazer pagamentos dos aposentados.
A empresa vem sendo sucateada há anos para justificar a privatização. Em 2012 contava com um efetivo de 128 mil trabalhadores, hoje somos menos de 99 mil. E claro que isso faz diferença na hora da execução final lá na ponta. É quando começam surgir as reclamações da população que não enxerga essas contradições.
Muitos pensam que a privatização vai promover mais agilidade nas entregas e que vai cair o valor das postagens. Verdadeira ilusão! Atualmente, a empresa concorrente usa inclusive os Correios para entregar as suas encomendas mais distantes porque não tem uma malha que atinja todo o país, assim como o comércio de venda pela internet. Portanto, eles cobram mais caro ao cliente, postam nos correios e ainda têm lucros.
Estamos presentes em 5.570 municípios, levando integração e cidadania a milhões de brasileiros. Em 2019 a empresa ganhou o The World Post & Parcel Awards na categoria Atendimento ao Cliente. A premiação internacional corresponde ao Oscar dos correios de todo o mundo.
As empresas privadas só vão atender nos grandes centros que promovem lucros e as tarifas serão mais altas.
O último serviço de correios privatizado no mundo foi o de Portugal em 2012. Atualmente, passa por processo de reestatização. Além das entregas terem caído significativamente, as tarifas de cartas tiveram um aumento de 47%.

Midia privatista está com as garras sobre os Correios

A grande imprensa está nas mãos do capital privado e a serviço deste. Isso não é novidade. Não é estranho que nas últimas semanas os Correios têm sido alvo constante dos maiores meios de comunicação. Apontam um déficit de mais de 2 bilhões de reais, altas tarifas pelo o serviço e entrega fora de prazo. Ignoram as dificuldades durante a pandemia, não mencionam o aumento de mais de 25% nas compras pela internet e o afastamento de pelo menos 30% do efetivo, que está em trabalho remoto. A grande imprensa faz coro com o governo privatista ao afirmar que os supostos gastos com a folha de pagamento consomem mais de 70% do arrecadado.
Os ataques à estatal não vem apenas da mídia capitalista, parlamentares que defendem este governo genocida e sua política privatista compactuam com a difamação da empresa. Recentemente o governo Bolsonaro recriou o Ministério das Comunicações e nomeou o deputado Fábio Farias do PSD de Kassab para ministro da pasta com a tarefa de encaminhar a privatização. Os Correios ficaram carimbados com o selo da corrupção e interferência política do governo do PT. Desde a campanha eleitoral Bolsonaro explora e demoniza a empresa e passa a imagem de uma empresa que reinava a corrupção, interferência política e bancada com o dinheiro público e monopólio do serviço. É bom deixar claro que o monopólio é somente nos serviços de carta e mensagem, telegramas.

Trabalhadores em campanha salarial

Em 2019, a intransigência da direção da empresa que se negou a negociar com os trabalhadores levou a categoria a decretar uma forte greve que forçou o TST (Tribunal Superior do Trabalho) a dar uma sentença normativa garantindo todas as nossas 79 cláusulas do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) e com dois anos de vigência. Ou seja, iria até 31 de julho 2021. A direção da empresa e o governo recorreram ao STF (Supremo Tribunal Federal) e para a surpresa da categoria o presidente Dias Toffoli deu uma liminar monocrática suspendendo os efeitos da sentença. Desde novembro 2019 lutamos para derrubar a liminar. Já fizemos duas reuniões com ministro presidente do STF, mas continua engavetada.
Assim, fomos obrigados a protocolar uma pauta de reivindicações no dia 3 de julho e as negociações começaram no dia 10. Já na segunda reunião a direção da empresa apresentou uma proposta fechada em que deixou apenas nove das 79 cláusulas do atual acordo coletivo. Um ataque brutal!
A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos) aprovou um calendário de luta que aponta greve nacional para o dia 4 de agosto. Infelizmente, a burocracia sindical do setor continua apostando as fichas jogo jurídico.
Para nós da CSP-Conlutas só com uma greve nacional e unificada entre os 36 sindicatos e as duas federações será possível garantir os direitos e barrar a privatização. Temos claro também que esta é uma disputa ideológica a necessidade de garantir serviços públicos à população.
Um exemplo disso se dá neste momento na área da saúde diante da pandemia em que mesmo que o SUS (Sistema Único de Saúde) totalmente sucateado, sem investimentos, impede que o número de mortes por covid-19 seja ainda maior. Isto porque os trabalhadores da saúde estão dando as próprias vidas para salvar as nossas. Não que o governo genocida de Bolsonaro, governadores e prefeitos estejam fazendo alguma coisa.
Portanto, é necessário defender políticas públicas para a classe trabalhadora. Isto só se colocarmos pra Fora Bolsonaro e Mourão.
E é dentro desse contexto que além de manter os Correios uma empresa estatal defendemos que esteja sob o controle dos trabalhadores.