Fotografia: Luciano Capistrano

Brasil da ingenuidade
Perdida
Ao país da exclusão escancarada!

Em tempos de pandemia o vírus da exclusão social ficou mais nítido. A realidade desnuda pela crise socioeconômica, agravada pelo Covid-19, apresentou a face mais obscura da sociedade brasileira. Desde tempos coloniais a criação da nação brasileira foi pavimentada nas pedras da exclusão social. Hoje, ao nos depararmos com a maior crise de saúde pública de nossa geração, encontramos as chagas abertas por um modelo excludente.
Não vamos muito longe. A intenção dessa minha inquietação em voz alta é trazer a reflexão sobre os “invisíveis” sociais, os segmentos mais vulneráveis nestes tempos pandêmicos. Numa volta pelos bairros da cidade o observador menos atento a cena urbana já se depara com essa realidade. Dizer que atravessamos este mar bravio no mesmo barco é querer pôr uma viseira diante do mundo real. Não, não estamos no mesmo barco.
O auxilio emergencial instituído neste momento deve ser visto como um indicador da urgência social na construção de pontes inclusivas. Não cabe mais a naturalização da miséria. A sociedade brasileira tem de dizer NÃO à desigualdade social, responsável pelos bolsões populacionais de pobreza, sobreviventes à margem da sociedade, brasileiros sem pátria. Sim, parece forte, mas este é o termo que me vem à mente: brasileiros sem pátria, vivendo como indigentes nas ruas, calçadas, em habitações desumanas, “sobrevivendo” do subemprego.
Políticas de promoção social como renda mínima, para além do Bolsa Família, me parece ser um dos caminhos indicados na resolução dessa dívida social, histórica do Estado Brasileiro, com estes brasileiros.
A instituição de uma renda mínima aliada ao novo Fundeb, me parece ser a luz no fim do túnel dessa desigualdade que consome os sonhos e a vida de milhares de brasileiros e brasileiras. O tempo tem pressa.
A fome de cidadania é o que devemos saciar.