Escolha do ministro depende de escalão militar e avaliação ideológica. Cotado para o cargo o secretário de educação do Paraná, Renato Feder, repete o gesto do convidado anterior e desiste do convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro.

Setores militar e evangélico, além do funil ideológico pesaram na rejeição de Feder. Depois da polêmica do currículo que levou Carlos Decotelli a entregar uma carta de demissão antes mesmo da posse como ministro, dessa vez uma das moedas de troca com o chamado Centrão (partidos aliados do governo Bolsonaro) que recentemente deu posse ao deputado Fábio Faria nas Comunicações, é desvalorizada pelo alto escalão do Planalto Central.
Num momento em que a educação pública no Brasil enfrenta uma lista de sérios problemas, como aponta a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), o governo Bolsonaro faz do MEC um balcão de negócios para atender interesses de grupos aliados.
Além disso, é preciso debater com trabalhadores em educação, estudantes e comunidade escolar o que fazer com o ano letivo este ano. Enquanto isso, nos bastidores palacianos a disputa pelo Ministério da Educação se transformou em brigas de torcida organizada com puxão de tapete, insultos e pontapés. Em meio a todo esse alvoroço surgem nomes como Anderson Correia, ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes) e atual reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); Sérgio Sant’Ana, ex-assessor de Weintraub; Ilona Becskeházy, atual secretária de Educação Básica do MEC; Aristides Cimadon, reitor da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc).

Lista de ministros e quase ministros objetos de desejo de Bolsonaro para ferrar a educação

Abraham Weintraub 

Antes de fugir para fora do Brasil, suas canetadas serviram para nomear interventores para várias reitorias dos institutos federais, a exemplo do IFRN, tentar mexer na autonomia das instituições federais de ensino, e como último ato revogou as cotas para cursos de pós-graduação, medida que já foi derrubada.

Ricardo Vélez Rodríguez

Colombiano naturalizado brasileiro e também indicado por Olavo de Carvalho, passou três meses tentando fazer do MEC uma privada e enterrar a educação pública na fossa.

Carlos Alberto Decotelli 

Pediu demissão enquanto aguardava a posse, depois de ser detonado pelas próprias mentiras divulgadas através do seu currículo.

Renato Feder

Secretário de educação do Paraná chegou a ser convidado por Bolsonaro para comandar o MEC, mas desistiu ao perceber a rejeição de grupos governistas ao seu nome. O quase ministro já defendeu privatização da educação e substituição de aulas presenciais na escola por aulas domiciliares aplicadas pelos pais.
Como vemos, o problema da educação em nosso país tem nome: Jair Messias Bolsonaro e seu Bê-a-Bá político, que tem como meta a destruição do ensino público, da cultura, da ciência.