por Aluizia Freire
Fotografia: Taian Marques/Coletivo Foque

28 de junho é “Dia Internacional da Revolta de Stonewal”.

Hoje, 51 anos depois, continuamos na luta contra a violência, o preconceito em que as Lésbicas, Gays,  Bissexuais e Transexuais sofrem até os dias atuais.
O início da história da luta por direitos da comunidade LGBT, por vezes, é atribuído às manifestações contra a invasão do bar Stonewall no episódio que ficou conhecido como “rebelião de Stonewall”. É importante pensarmos como se deu a construção da memória sobre o movimento de Stonewall ocorrido na cidade de Nova Iorque, no dia 28 de junho de  1969. Desse modo, buscamos analisar de que maneira a experiência LGBT estadunidense é vista pelos LGBTs brasileiros. Dessa forma, abordamos o contexto dos Estados Unidos da época, bem como o que foram os protestos de Stonewall e seu impacto para a comunidade LGBT. A Luta pelo Direito de Amar é construída a cada dia, como meio de mostrar que toda forma de amar vale a pena.
Essa revolta não é muito diferente do  que vivemos hoje, quando os homossexuais são assassinados  com requinte de crueldade. Dados divulgados pelo Anuário Brasileiro da Segurança Pública traz um recorte específico de casos relacionados à violência contra o público LGBTQI. São assassinatos, estupros e lesões corporais graves computados por meio de delegacias especializadas espalhadas pelo Brasil. Ao todo, apenas seis unidades policiais da Federação colaboraram com o estudo e, por isso, foram usados também, casos compilados pelo Grupo Gay da Bahia — que há quatro décadas atua na área de direitos humanos. Os dados trazidos oficialmente por meio do acesso à informação revelam que 99 gays, lésbicas, bissexuais, travestis ou transgêneros foram assassinados em 2017. Esse número subiu para 109 em 2018, de acordo com o estudo divulgado em 10/09/2019. Isso significa um aumento de 10,1% em ocorrências violentas registradas pelo público LGBT.
Dados do Grupo Gay da Bahia contabilizam um número muito superior. Segundo a ONG, foram 320 casos de homicídios cometidos contra LGBTs só em 2018.
As desigualdades presentes na nossa sociedade, banalizadas pelo poder público, é visível quando observamos o número de pessoas que são assassinadas por ter uma opção sexual diferente da que a sociedade prega. Uma sociedade que apresenta resquícios do patriarcado, conservadora e hipócrita. Pessoas que se identificam como LGBTs sofrem discriminação diariamente, seja na rua, no trabalho, na escola, muitas das vezes dentro de casa. Assim como as mulheres negras, a população LGBTs está sendo assassinada e agredida diariamente com palavrões, está sendo morta. Não temos políticas públicas para combater de forma eficiente a mortalidade dos LGBTs. O que nós chamamos de violência institucionalizada.
O movimento busca diariamente por visibilidade e respeito aos direitos individuais e coletivos. Apesar dos avanços, LGBTs lutam cotidianamente contra a homofobia. Entre as conquistas, o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, a união homoafetiva, através da Resolução nº 175 de 14/05/2013 pelo Conselho Nacional de Justiça, assim como a adoção por crianças (LIMA, Ana, 2019). Recentemente foi aprovada a lei que criminaliza a homofobia, tornando crime a discriminação por pessoas do mesmo sexo.
As leis trouxeram mudanças significativas para os casais LGBTs, no entanto, a sociedade discrimina e julga quando vê essas pessoas trocando carinho, sejam de mãos dadas, abraços ou beijos em público. As pessoas querem dizer como devem se comportar. Todos os dias você se depara com comentários homofóbicos. Combatemos toda forma de opressão à comunidade LGBT.

LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros) sigla de uso internacional constituída pelo movimento de pessoas homossexuais, bissexuais e transexuais dos Estados Unidos e incorporada por diversos países (COLLING, THEDESCHI, 2019, p. 448).