Fotografia: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O economista e oficial da reserva da Marinha Carlos Alberto Decotelli é o terceiro ministro da educação da era Bolsonaro.

Nomeado nesta quinta-feira (25/06), ele já foi presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) na gestão do ministro Ricardo Vélez e depois com o ministro Weintraub, prejudicando políticas e projetos para a educação básica. Depois, ocupou o cargo de secretário de Modalidades Especializadas em Educação (Semesp), que substituiu a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Seadi) do MEC.
“A indicação de Carlos Alberto Decotelli ao Ministério da Educação não atende aos interesses de uma escola pública e gratuita para todos, em especial nesses tempos de pandemia que exigem desafios monumentais para o momento”, diz em nota a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que dentre a agenda da educação pública cobra a aprovação do novo Fundeb, fundo da educação básica que garante o financiamento das escolas brasileiras.
Nota assinada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas UBES) e Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG) afirma que embora possua trajetória acadêmica, “o novo ministro não tem experiência vinculada à educação, mas sim nas áreas financeira e militar, o que é sempre motivo de preocupação”. Segundo as entidades estudantis, a educação não pode ser tutelada nem por grupelhos ideológicos nem estar a serviço dos interesses do mercado financeiro.
A estudantada reafirma a luta por um novo Fundeb permanente; saídas para a educação básica durante a pandemia; realização do Enem de maneira segura e no tempo adequado, entre outras importantes reivindicações, como investimentos emergenciais na ciência e nas universidades públicas para permanência estudantil e valorização na pós-graduação.
O professor do IFRN Hugo Manso, diretor licenciado do Sinasefe Natal, lembra que o ex-ministro Weintraub foi desonesto, maldoso não apenas com os trabalhadores em educação, mas com a sociedade brasileira. “O projeto Future-se do MEC quer modificar nosso fazer pedagógico, pegar nossos laboratórios, nossos campi do Brasil inteiro e colocar a serviço da iniciativa privada”. Ele aponta que são 650 campus em todo o país, vinte e dois no Rio Grande do Norte. “Esperamos que o novo ministro faça uma gestão voltada para a educação, que ele respeite a lei 11.892/2008, que instituiu os institutos federais de educação. Por que implica na autonomia das instituições, como no caso da nomeação do reitor eleito, a possibilidade de abrir novos cursos”.