Depois da nomeação de um interventor para o IFRN, protestos tomaram as redes sociais nesta segunda-feira (20/4). São manifestações de estudantes, professores e técnicos administrativos contra a decisão autoritária do MEC, que se nega a dar posse ao reitor eleito democraticamente pela comunidade e resolve nomear o professor do campus de Ipanguaçu, Josué Moreira, para exercer o cargo que não lhe pertence.
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“O Sinasefe é contrário à nomeação indevida de um interventor que não nos representa, queremos reafirmar que não vamos aceitar essa nomeação ilegal. O IFRN tem a prática de eleger seus gestores e a nossa posição é contrária a mais um ataque à democracia”, declarou a coordenadora geral do Sinasefe Natal, Nadja Costa, que participou da mobilização ocorrida na tarde desta segunda-feira na Reitoria. Ela aponta que a Portaria e os argumentos que tentam justificar a intervenção é ilegal e contraria todos os valores que o IFRN.
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O diretor de Comunicação do Sinasefe Natal, Hugo Manso, que também esteve na mobilização contra a intervenção no IFRN, diz que está no Instituto desde o início de 1990, na época ETFRN. “De lá para cá tenho visto vários colegas serem candidatos a diretores, agora a reitor, uns vencem e outros perdem, mas o processo é respeitado. Não vamos aceitar intervenção, nem aqui e nem em nenhum campus. Estaremos firmes e queremos respeito à comunidade acadêmica”.
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O professor Pablo Spinelli, do campus zona norte, pede para que usem as redes sociais e espalhem o protesto. “Nós elegemos um reitor que não está conseguindo tomar posse porque o ministro da educação nomeou um interventor, isso é uma falta de respeito com as famílias dos nossos estudantes”.
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“Nós temos um reitor eleito pela comunidade do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, e mesmo assim foi nomeado um interventor, por isso a gente está aqui para repudiar esse ato antidemocrático do presidente da república e do Ministério da Educação”, protestou Felipe Garcia, presidente da Rede de Grêmios do IFRN.

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A presidente da União Estadual dos Estudantes do RN, Iara Costa, declarou apoio ao professor Arnóbio e toda comunidade do IFRN, que no ano passado participou de uma eleição para reitor, onde teve o voto democrático de estudantes, professores e técnicos administrativos. “Hoje, o MEC institui um interventor alinhado com a política de Bolsonaro, que cortou o orçamento da educação e agora impõe uma política autoritária que não respeita, inclusive, a situação de pandemia”. Ela denunciou que o interventor já emitiu uma nota informando que essa semana as aulas vão estar retornando. “Então, a gente tem que pensar, além da democracia, quais são os perigos que estão por vir a partir do momento que tem um interventor como reitor”.
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A diretora geral do campus Pau dos Ferros, Antônia Francimar, declarou que está neste momento pedindo a sua exoneração em caráter irrevogável da função. “Não fico nem mais um dia sob a tutela de um interventor que não se submeteu a um processo eleitoral e se submete a essa lógica antidemocrática do governo federal”. Durante o protesto na reitoria, ela chamou a atenção para a necessidade da resistência nesse momento.
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O servidor do campus Cidade Alta, Shilton Roque, manifestou seu repúdio à intervenção no IFRN, considerando o ato como arbitrário, antidemocrático e ditatorial. “Elegemos o professor Arnóbio como reitor da instituição e queremos que seja cumprido o resultado das urnas”. Ele lembrou que depois dos atos que pediam a volta do AI5, “a gente tem uma demonstração clara de ditadura com essa nomeação do interventor”. E defendeu a posse imediata do professor José Arnóbio, como reitor eleito. “Que a gente esteja defendendo a nossa instituição e a democracia neste momento de ataque brutal que está acontecendo em nosso país”.
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A professora Iaçonara Miranda, do campus Natal central, manda um recado: “Entrei no IFRN na primeira gestão pós ditadura militar, desde então temos tido processos democráticos de eleição dos nossos diretores e, agora, dos nossos reitores. É incabível qualquer pessoa que venha tomar posse sem que tenha passado por um processo de escolha da nossa comunidade. Respeitem o nosso IFRN”.
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Técnico administrativo no campus Canguaretama, André Palhares diz que está nessa luta para ajudar a mobilizar contra esse ataque à democracia. “O nosso reitor eleito não foi empossado e não aceitamos interventor”.
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“Estamos aqui para exigir que o nosso reitor eleito seja nomeado, estamos vivendo uma situação de intervenção no IFRN que não podemos aceitar de modo algum. Exigimos que a vontade acadêmica seja respeitada”, diz o professor Marcel Matias, do campus Cidade Alta.
Durante o protesto na Reitoria, o reitor eleito do IFRN, professor José Arnóbio, denunciou que a comunidade do IFRN sofreu um duro golpe contra a democracia, que foi conquistada nesta instituição na década de 80 quando elegeu a professora Luzia França. “Hoje, fomos surpreendidos por uma medida arbitrária, conservadora, reacionária, que faz com que uma pessoa que nem participou do processo eleitoral ganhe o direito de ser interventor da nossa instituição. Pro Tempore é um nome muito bonito para colocar uma pessoa que hoje está dando o golpe na comunidade. Fomos eleitos legitimamente. Nas redes sociais estão publicando que estou respondendo a um processo administrativo disciplinar e por isso não posso tomar posse. Outra mentira”. Ele explica que foi feita uma sindicância investigativa de uma ação que aconteceu no campus, no mês de julho de 2019, e estas questões estão sendo investigadas. “Eu não fui julgado nem em primeira nem segunda instância, ou seja, não respondo por crime nenhum. A gente está sofrendo perseguição política por que a comunidade nos deu o respaldo de ser o reitor eleito da instituição e nesse momento esse ato está sendo negado”.